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Agro&cultura

Por Celma Prata*

Incluir no roteiro de viagem um passeio pelos mercados locais já se tornou usual aos visitantes das grandes capitais mundiais. É ali que se identificam os hábitos alimentares dos moradores e onde é possível esbarrar com chefs estrelados comprando fines herbes e outros itens para o cardápio do almoço ou jantar de logo mais. “Rungis”, em Paris, “La Boqueria”, em Barcelona, “Mercadão”, em São Paulo, todos têm em comum as super estruturas.

Mas e o que dizer de feiras urbanas, ao ar-livre, de produtos orgânicos, cultivados e vendidos pelos próprios agricultores, sem intermediários? E se estiverem situadas em bairros centrais da cidade mais cosmopolita do mundo? Nos últimos anos, surgiram várias do tipo, e hoje há duas dezenas só em Manhattan, o bairro-distrito mais famoso de Nova York.

Sim, parece que a maior metrópole norte-americana atendeu aos apelos de um movimento que pretende “salvar o planeta”, na definição de seus próprios seguidores, os “locavores” (em inglês, contração de “local” [“da própria região”] e o sufixo “voro” [“que se alimenta de”]), puristas que só consomem produtos sazonais orgânicos, cultivados em pequenas propriedades situadas a menos de duzentos quilômetros de distância.

Os “locavores” acreditam que, além de se beneficiarem do fator saúde, estão contribuindo para a sustentabilidade do planeta. Como? Ao evitar o transporte de produtos para longas distâncias, economiza-se combustível e reduz-se a emissão dos gases de efeito estufa. Sem contar que ajudam a fixar o pequeno produtor no campo.

Embora guarde restrições quanto ao estilo “locavore” de viver, Adam Starowicz, chef de cozinha de Nova York, é freguês habitual da feira da Union Square (“Union Square Greenmarket”). Ele discorda que a distância do cultivo de produtos interfira na sua qualidade – principal preocupação dele. “Eu gosto de café, vinho, queijo, chocolate, molho de soja, caviar, trufas, atum, salmão e farinha. Tudo isso pode ser facilmente obtido, de longas distâncias, sem muita ou qualquer diminuição na qualidade”, ele nos falou em entrevista.

O profissional, que trabalha nas imediações da feira ao sul de Manhattan, reconhece, no entanto, que produtos frescos cultivados na própria região apresentam mais nutrientes e têm menor custo de produção. “Os alimentos que se encaixam nesse critério, eu compro”, admite.

Diferente das feiras livres brasileiras que, para se adaptarem aos novos tempos de falta de segurança nas ruas e a comodidade de supermercados, tiveram que incluir atrativos, como roupas, antiguidades, bugigangas tecnológicas, artesanato e comida pronta, as de Nova York comercializam exclusivamente alimentos frescos orgânicos. De frutas e verduras recém-colhidas, a carnes e queijos premium, pães, vinhos e geleias artesanais. A única concessão são para flores e plantas. A feira da Union Square funciona quatro dias por semana, durante o ano todo (ver Box).

Mas, afinal, os nova-iorquinos estão mudando os hábitos alimentares? Starowicz opina que a busca por equilíbrio na relação custo-benefício é um fenômeno mundial. “As pessoas estão dispostas a pagar mais por algo que consideram melhor para a saúde, a longo prazo”. Adotar ou não a filosofia dos puristas da nutrição parece não ser a questão mais relevante. O que importa mesmo é consumir com responsabilidade.

Na sua próxima ida à Nova York, experimente visitar uma dessas feiras. Você pode conversar com os agricultores, assistir demonstrações e degustar pratos feitos por alguns dos chefs mais famosos da cidade e, de quebra, levar algumas frutas fresquinhas para saborear, enquanto bate pernas na ilha que nunca dorme. Be happy!

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Feira livre da UNION SQUARE
Av. Broadway com Rua 17ª (leste)
Nova York (USA)
2as, 4as, 6as e sábados: 08h-18h
http://www.grownyc.org/greenmarket/manhattan-union-square


Foto: Divulgação


* Celma Prata
Jornalista e diretora editora do AgroValor
 

(Matéria reproduzida, publicada originalmente na Ed. 95, de janeiro/2014)

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