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A medicina veterinária regenerativa está cada vez mais avançada e hoje oferece tratamentos eficazes para doenças que antes deixavam sequelas ou podiam levar à morte os animais afetados. É o caso da cinomose, enfermidade viral transmitida a cães, especialmente os não vacinados, e que deixa graves sequelas neurológicas em 95% dos animais afetados. Antes irreversíveis, as sequelas agora podem ser tratadas com terapia com células-tronco.

A cadela Ciça, de três anos, estava no Hospital Universitário da Ulbra para a terceira dose da injeção de células-tronco. Com pequena dificuldade, conseguiu até correr para interagir com outros cachorros e com seu dono, Rafael Francisco de Jesus. Mas há menos de dois meses, o quadro era outro. "Antes de iniciar o tratamento com as células, a Ciça não conseguia se manter em pé e para andar precisava se arrastar, ficou muito triste e quieta, chorava bastante. Até para defecar tinha dificuldade, já que acabava ficando em cima das próprias fezes", relata Rafael.

De acordo com a diretora clínica da CellVet Medicina Veterinária Regenerativa, a veterinária e Doutora em Genética e Biologia Molecular, Luisa de Macedo Braga, o que aconteceu com Ciça acontece a vários cachorros, pois o vírus tem um grau elevadíssimo de contágio e pode sobreviver nos ambientes - principalmente frios e secos – por um longo período de tempo. A doença atinge vários órgãos e em geral deixa sequelas neurológicas que podem incapacitar a vida do animal e que são difíceis de tratar. Mas com o tratamento de células-tronco, muitos destes animais já estão sendo curados e readaptados. A pesquisadora explica que as células-tronco são capazes de reconstruir os tecidos do organismo, protegendo o tecido nervoso dos efeitos da infecção viral. O grau de recuperação varia conforme a idade do animal, o tempo decorrido desde a infecção, e a gravidade das sequelas.

Na terapia, são coletadas células-tronco do tecido adiposo do animal a ser tratado ou de outro cão da mesma, cultivado em banco de células-tronco. Esse material é preparado e depois injetado no paciente.

Ciça não parecia incomodada enquanto recebia a terceira dose da injeção celular e quase adormeceu apoiada nos braços do dono. As células foram aplicadas pela veterinária por acesso venoso (pela veia) da pata do animal, juntamente com soro. A aplicação durou cerca de cinco minutos e logo que acabou, a cadela voltou caminhando para casa. "Percebo a Ciça mais feliz e disposta, principalmente para andar, brincar e comer", comemora o dono do animal.

Foto: Divulgação

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