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Agro&cultura

Cada pessoa é uma pessoa:
fala, sorri, canta...
Finge ser nada sério
Nada
Nada
E no fundo tudo esconde:
falso ou verdadeiro

Uma nuvem branca
Uma nuvem amarela
Uma nuvem vermelha
Uma nuvem negra
Uma nuvem roxa
Uma vela acesa
Assim é a vida.

As nuvens se dispersam,
se descortinam sobre os arranha-céus e o mar.
Amanhece: cada pessoa é uma pessoa.
Acontece: o mesmo mundo
O mesmo Cristo perto ou distante
Perto dos que creem e O amam
Se você é timoneiro se cuide!
Lá em frente um turbilhão o espera.
Cuidado!
É hora de trocar o leme do barco
e retornar antes do naufrágio
porque a vida embora sofrida
é melhor viver.

Está pensando o que?
Que nasci num arranha-céu
No coração de uma metrópole?
Não!
Nasci numa fazenda
perto do mar
ouvindo o vai-e-vem das ondas
o mugir dos bois
o berro dos bezerros
e das cabras
o balido das ovelhas
o ganir dos cães
o miar dos caça-ratos
o embalo de redes nos alpendres
e moendas espremendo cana
aboios e mugidos
mel escorrendo nas tachas
o latir do “Rompe-ferro” e “Tubarão”
acuando preá.
E coisa bem melhor – os passarinhos.
Pios e pipios, trinos e assobios:
do falante bem-te-vi
do cantante sabiá
Isso é que é viver!

Até aos 10 anos
carne não comia:
nem de boi, nem de frango
nem de porco, nem de jia
Dos quatro eu não sabia
Qual era o que mais fedia.

Meu alimento era só:
ovo caipira com farofa de mocotó
e muito sal.
Quatro a seis inteiros

Três refeições por dia
O que era colesterol
ninguém sabia!
Enfarto do miocárdio e hipertensão
Tudo isso apareceu
sem nenhuma explicação

Café da manhã:
Tapioca de goma de mandioca e carimã
Em vez de café pingado,
caldo de cana na cuia que todos bebiam
Assim a gente vivia
De fome ninguém morria
Não tinha medo de nada
Só de alma de lobisomem

Medo:
Eu tinha medo de cobra
Muitas vezes até sonhava
A picada era tão forte
Doía de fazer dó
Quando acordava, sentia.
No lençol tinha um nó...

Muitas vezes na calçada
De tanto medo dormia
Uma irmã mal-humorada, dizia:
Tem um rabinho crescendo...!
-Tira, tira, eu gritava
e ninguém me socorria!
A outra também falava:
lobisomem hoje come babado!

A piada era comigo
Para aumentar o castigo
Saia de três babados eu vestia
Ah, meu Deus, quanta ironia!

Tempos depois no colégio
Estudei psicologia
Vi que alma não existe
pra fazer medo a ninguém
É só na imaginação
Na cuca de quem não tem.

Mania:
Guardo objetos sem uso
No dia que ponho fora
acredite, sinto falta:
será síndrome ou mania?
As vezes me embaraço
com as coisas que sempre faço
ou que deixo de fazer.
Com tanta coisa sem uso
no dia que eu abuso
jogo tudo na lixeira
deixo de fazer besteira
evito queda de braço.

Bem-humorada, afinal
Não disse tudo, porém
o que me veio à lembrança.
Com a chave da Esperança
Juntas na Técnica Vocal
Deposito confiança.

Clélia Prata
Cearense, professora aposentada, poetisa e contista, com obras publicadas em várias coletâneas

Foto: Divulgação

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