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Cisticercose e a Carne Suína: A carne suína é a proteína animal mais consumida no mundo e o Brasil ocupa o 4º lugar na produção, atrás apenas da China, dos EUA e da União Europeia; é também o quarto maior exportador mundial desse alimento

Segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA, só no ano passado, o país produziu cerca de 3,64 milhões de toneladas dessa carne. Esse destaque se deve aos avanços nos quais, há décadas, a suinocultura tem obtido, como: aprimoramento genético, instalações, saúde animal, boas práticas de manejo e uma nutrição animal balanceada, totalmente adequada aos melhores padrões de produção.

No entanto, mesmo com destaque nos principais mercados internacionais, a carne suína aqui no Brasil é cercada de mitos e inverdades absurdas, tão antigos que acabam confundindo qualquer consumidor. É evidente que a carne suína consumida décadas atrás, não possuía as mesmas características que o produto comercializado hoje, e isso se aplica a todas as outras carnes, porém, ainda se mantém uma cultura muito leiga a respeito dela. Acreditamos, portanto, que é necessário esclarecer algumas dúvidas, de uma vez por todas.

Um dos principais mitos sobre a carne suína está relacionado às enfermidades: teníase ecisticercose. Para esclarecer, iremos discorrer um pouco sobre elas, baseado no ciclo que trata dessas doenças e que está presente na maioria dos livros escolares e de medicina.

A teníase é uma doença causada por um parasita chamado Taenia solium, no caso dos suínos, e Taenia saginata, nos bovinos. As Taenias precisam de dois hospedeiros para completar o seu ciclo evolutivo, um é o homem, que é o único hospedeiro definitivo da Taenia (único a possuir a fase adulta do verme); o outro hospedeiro, chamado de intermediário, pois nele só ocorre a fase larvar (cisticerco), podem ser os suínos, bovinos, carneiros, etc.

Ao consumir a carne suína ou bovina portadora de cisticercos – quando elas não atingem o tempo de cozimento adequado – o ser humano corre o risco de adquirir a Taenia e desenvolver a doença denominada Teníase, também conhecida por “solitária”.

Três meses após a ingestão do cisticerco, a Taenia – já localizada no intestino delgado do homem – começa a desprender anéis (ou segmentos) de seu corpo. Os anéis podem sair com as fezes ou romper-se ainda dentro do intestino, liberando os ovos que são eliminados da mesma forma durante a defecação. No meio ambiente, estes ovos – dependendo da temperatura e umidade – podem continuar ativos por quase um ano. A Taenia pode viver vários anos no intestino do homem, contaminando o meio ambiente onde as suas fezes caírem, ou seja, o fator de risco aumenta se a defecação for em local inadequado. Se houver esgotos apropriados, o problema praticamente desaparece.

As fezes ressecam-se com o sol e os ovos são levados pelo vento a grandes distâncias. Dessa forma, contamina as pastagens, hortas, rios e lagoas cujas águas podem ser utilizadas para beber ou irrigar plantações. O homem com teníase, pode se auto contaminar com os ovos, ao não fazer corretamente a higiene após evacuar.

A Cisticercose é uma doença causada no hospedeiro intermediário (por exemplo, o suíno) pelas larvas da Taenia. Os suínos, bovinos e o próprio homem adquirem esta doença ao ingerir alimentos ou tomar água contaminados com ovos da Taenia. Após a ingestão, os ovos vão para o estômago e o intestino delgado, locais em que os embriões são liberados, fixando-se nas vilosidades e perfurando a parede intestinal, atingindo então os vasos sanguíneos e, consequentemente, sendo distribuídos pelo corpo todo.

A grande maioria fixa-se no cérebro, causando a chamada Neurocisticercose. Outras localizações, além do sistema nervoso, são: o coração, olhos e músculo.

No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmente conhecida como “canjiquinha” e ao comer estas carnes, – se não forem devidamente cozidas – o homem ingerirá os cisticercos (larvas), que evoluirão em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase e completando assim o ciclo desse verme.

O conceito errôneo de que a cisticercose é transmitida ao homem pelo consumo de carnes contaminadas (de suíno ou bovino) deve se à falta de conhecimento – e de esclarecimento – sobre o ciclo de vida deste parasita. Pela descrição desse ciclo, podemos concluir:

1) O homem é o potencial disseminador de cisticercose no suíno e não o contrário, ou seja, osuíno não causa a cisticercose no homem;
2) O suíno participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelo homem, apenas abrigando a fase larvar da Taenia (cisticerco);
3) Verduras e frutas irrigadas com a água contaminada com fezes de pessoas portadoras de Taenia representam um grande risco de contaminação quando ingeridos;
4) Quando consumimos carne suína ou bovina portadora de cisticercos, – quando elas não atingem o tempo de cozimento adequado – existe o risco de adquirirmos a Taenia, mas não de termos a cisticercose;
5) Considerando o ciclo desse parasita, quem contamina o meio ambiente (córregos, lagoas, terrenos, águas, etc.) é o homem, através de suas fezes, liberando os ovos da Taenia;
6) Havendo o controle e evolução do saneamento básico, reduzimos o número de pessoas portadoras da solitária (teníase) e, consequentemente, eliminamos a cisticercose nos suínos e bovinos;
7) Na suinocultura tecnificada, em que os suínos são criados confinados e recebem apenas rações como alimento, a possibilidade de transmissão do parasita é praticamente zero, se levarmos em consideração a quebra do ciclo.

Fonte: Agroceres
Foto: Divulgação

 

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