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Agropecuária

Por Gabriel Lellis e Vinícius Galera

Famoso, polêmico e amplamente usado em todo o mundo, o glifosato voltou a aparecer nas manchetes nas últimas semanas. Acusado de ser cancerígeno, o agrotóxico, responsável por eliminar ervas daninhas nas plantações, domina mais da metade do mercado mundial de herbicidas e, segundo a consultoria Grand View Research, movimentará U$S 8,5 bilhões em 2020.

A atual queda de braço em torno do glifosato envolve principalmente a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), países da União Européia e Estados Unidos. Enquanto as duas entidades internacionais classificam como “improvável” o potencial cancerígeno do herbicida, os governos dos países estudam diminuir, ou até mesmo banir, sua utilização.

Além de mexer com os ânimos de políticos, cientistas e opinião pública, as discussões também interferiram nos movimentos do mercado. A Monsanto, gigante multinacional americana do setor de agricultura e biotecnologia, tem a substância como princípio ativo do seu herbicida, o Roundup. Se não bastassem as críticas recebidas por conta da venda do agroquímico, a empresa também teve de arcar com uma queda na confiança do mercado bem no momento em que discutia sua compra pela alemã Bayer, numa transação que criaria o maior fornecedor de sementes e agroquímicos do mundo.

E como funciona o glifosato? Quais são os resultados das pesquisas até o momento? Como utilizá-lo corretamente? Nós da Globo Rural tiramos todas estas dúvidas a seguir:

Como funciona?
O glifosato surgiu comercialmente no começo dos anos 70, está registrado em mais de cem países e pode ser adquirido por qualquer pessoa.  Quimicamente é considerado como um herbicida não-seletivo, ou seja, mata a maioria das plantas. Não por coincidência a Monsanto produz e vende uma linha de sementes batizadas de Roundup Ready, geneticamente modificadas para resistir ao glifosato. Antes das pesquisas relacionadas ao câncer, o herbicida era popularmente tido como uma solução segura para lavouras de milho, soja e crescimento de pasto.  

Para matar as ervas daninhas e outras espécies não resistentes, o glifosato impede que a planta produza algumas proteínas fundamentais para seu crescimento, além de interromper uma importante via enzimática fundamental para a sobrevivência dos vegetais.

Como utilizar de maneira correta?
As dicas se aplicam não apenas ao glifosato, mas também a outros agroquímicos disponíveis no mercado. Antes do uso, os agricultores devem ler com atenção o rótulo contido nas embalagens dos produtos para conferirem as recomendações do fabricante.

No momento de preparação e aplicação, é indispensável o uso de equipamentos de proteção individual, como óculos de segurança, luvas, máscaras de proteção respiratória, botas de borracha e macacão de algodão. O uso de pulverizadores em boas condições também é recomendado.

O que a ciência sabe?
Segundo Anizio Faria, professor da Universidade Federal de Uberlândia e especialista em agroquímica, os principais estudos científicos sobre o glifosato apresentam resultados conflitantes. “Em algumas pesquisas foi observado que quando administrado sob altas doses em animais de laboratório, o glifosato causou diminuição da atividade de algumas enzimas. Porém, em vários outros estudos os resultados não indicam qualquer associação do uso de produtos contendo glifosato com o câncer”, afirma.

Ainda segundo o professor, as pesquisas mais recentes merecem atenção redobrada, pois indicam que os ingredientes misturados ao glifosato em herbicidas tradicionais podem ser muito mais perigosos. “Ingredientes considerados ‘inertes’, como os surfactantes, em formulações comerciais do glifosato podem amplificar efeitos tóxicos sobre células humanas, mesmo em concentrações muito mais baixos do que do próprio glifosato”.

Há substitutos mais “seguros”?
Existem no mercado alternativas para o combate de pragas e ervas daninhas, como, por exemplo, ácidos naturais feitos à base de vinagre e ácido cítrico. Contudo, de acordo com o professor Faria, o desenvolvimento desses substitutos esbarra em barreiras de eficiência. “É de grande interesse de muitos setores da população o desenvolvimento de novas opções. No entanto, em sua maioria, os herbicidas alternativos requerem aplicações em maior quantidade, consumindo volumes de água significativos e tornando o custo e o tempo do tratamento maiores que os gastos com o glifosato”.

Globo Rural Online
Foto: Thinkstock

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