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Agropecuária

Diferente dos estados como Paraná, Santa Catarina e, principalmente, o Rio Grande do Sul, em outras regiões do país a cultura do cavalo Crioulo não nasceu no berço. Esta distinção poderia parecer simples ou até sem importância, se não fosse o forte impacto que provoca. Para os criadores de outros estados não dispor “da veia campeira” é sinônimo de não ter quem exerça com qualidade as atividades do setor que tem tudo para se expandir e crescer cada vez mais, exceto, mão de obra qualificada.

O criador do município de Montes Claros de Goiás/GO, Felipe Takis, trabalha com cavalo Crioulo há cerca de três anos e meio e desde seu ingresso na atividade enfrenta o mesmo problema: a falta de bons profissionais. Ele conta já ter perdido um animal de R$ 80 mil devido ao quadro de funcionários ter conhecimento muito limitado do manejo com o cavalo Crioulo. Somente no ano passado três potros também morreram por falta de cuidado especializado.

Além da perda de um de seus exemplares mais caros, não é apenas o prejuízo financeiro que precisa ser gerenciado, o tempo para a realização de cada atividade também é outro agravante. “Quando não sabem o que estão fazendo levam mais tempo“, afirmou.

 

Sem profissionais até para formar os novos

Entre as alternativas já arriscadas, Takis chegou a pensar em incentivar a formação de peões em seu próprio estado. Ele tentou, inclusive, oferecer um estágio remunerado para formar os profissionais para o trabalho, mas nem mesmo pessoas para repassar as técnicas foram encontradas.

Profissionais de qualidade naturais de municípios fora do Sul são praticamente nulos e nem mesmo a importação dessa mão de obra serve como alternativa. “Para cavalo Crioulo não existe mão de obra qualificada fora do Rio Grande do Sul”, reclama. Segundo Takis os poucos trabalhadores do ramo com interesse em aceitar as vagas ofertadas também não solucionam o problema, pois na maioria dos casos exigiram remunerações exorbitantes para o grau de competência apresentado. “Os peões estão querendo salários altos demais. Eles não têm conhecimento nenhum para o pagamento que querem”, reclamou.

Neste conjunto o prejuízo é ainda maior quando mesmo depois de importar mão de obra e, portanto, mais cara, o peão não corresponde à função, precisa ser demitido e enviado de volta a seu estado de origem.

Ciente de que não pode contar com o apelo cultural gaúcho fora de seu solo, na opinião do criador somente um apoio institucional forte seria capaz de reverter o panorama. “A ABCCC tinha que começar a pensar como uma montadora de veículos. Ninguém vai comprar um carro sem manutenção”, apontou. Takis enfatizou ainda o sentimento que diz ser partilhado por muitos criadores de outras regiões do país que alegam se sentir desamparados de uma assistência mais próxima e atuante em defesa da valorização fora do eixo Rio Grande do Sul - Paraná. “Existem dois mundos, um do Paraná para baixo e outro do Paraná para cima”, finalizou.

 

Reforço na valorização fora do Sul

Durante a reunião de Núcleos da Região 6, em 18 de abril, durante o Bocal de Ouro em Esteio/RS, o presidente da ABCCC, Mauro Ferreira, falou da importância em fomentar a raça Crioula fora do eixo Sul do país. Na ocasião o gestor defendeu a necessidade de criar mais credenciadoras ao Freio de Ouro e morfologias passaporte fixas em outras regiões brasileiras. Segundo o presidente, a ideia é reforçar a presença da entidade junto aos criadores fora dos estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A primeira estratégia é o oferecimento de provas mais próximas das propriedades. “Do Paraná para cima tudo é área de fomento”, declarou.

De acordo com Ferreira, a ABCCC está ciente da necessidade de elevar a presença da entidade em outras regiões. Com este foco vem implementando uma série de alternativas. “Há ações muito mais do que planos”, afirmou o presidente referindo-se ao aumento das morfologias passaporte fora do Sul do país - em 2012 havia apenas uma seletiva fora do RS e em 2014 passou para cinco provas.

Também sobre o crescimento da demanda institucional em outras regiões, Ferreira projeta a melhoria do atendimento em loco dos criadores com o aumento da cobertura do território. “Estudamos que mais cedo ou mais tarde vamos ter que ter um escritório da ABCCC radicado mais no centro do país”, argumenta. A expectativa é de São Paulo ser a possível escolha e se torne um elo mais perto dos criadores de outras regiões com a associação.

 

Texto: Andressa Barbosa

Essa reportagem foi publicada na edição Maio/2014 do Jornal Cavalo Crioulo, que pode ser conferida na íntegra aqui.

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