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Por Rogério Morais

O Brasil atualmente tem um dos maiores plantéis do mundo de boi. Nada menos do que 220 milhões de cabeça. Somos conhecidos como o “país do gado a pasto”, fator que atrai as exportações principalmente para a Europa. Desse total, conforme números de entidades de criadores, somente 5% são terminados em confinamento. Nos Estados Unidos é quase o inverso do sistema brasileiro. Mas as mudanças já estão acontecendo por aqui. Gradativamente os criadores estão abrindo novos negócios e lucrando mais com o sistema de boi na engorda de curral. Para o administrador Pedro Luiz Bacco, Diretor da Merial (saúde animal), “a produtividade é o futuro do Brasil”, e ele garante que o confinamento é a grande opção para competir no mercado mundial. Nesta entrevista ao AgroValor, em São Paulo, afirma que o produtor deve “focar na tecnologia”.

AgroValorFala-se muito em produtividade em toda a cadeia bovina. Qual a maior importância desse conceito?
Pedro Luiz Bacco – A produtividade é o futuro do Brasil. Todas as propriedades têm que estar focadas nas questões de gestão, produzir mais e melhor. Esse é o grande desafio do pecuarista, do produtor rural. Como empresa (Merial), estamos muito preocupados com esse tema e dispostos a ajudar o produtor a produzir mais e melhor, esse é o grande desafio. Há belas perspectivas de exportação na área do agronegócio e temos que aproveitar esse bom momento.

AgroValorNesse desafio, o que mais devemos nos preocupar: sanidade, investimento, tecnologia ou mão de obra?
Bacco – O produtor precisa focar cada vez mais em tecnologia. Tem que produzir mais e melhor com o emprego de tecnologia, ou seja, sanidade, alimentação e genética. Esse é um tripé muito importante quando se trata de produção bovina, e em nossa área, sanidade, podemos ajudar o produtor a melhorar. Trazer para os nossos produtores condições que o ajudem a produzir mais e melhor.

AgroValorO Brasil tem se preocupado muito e vem promovendo muitas pesquisas na área do agronegócio. Estamos bem avançados em relação aos países mais desenvolvidos?
Bacco – Estamos avançando, mas ainda temos um caminho longo pela frente. Com o apoio das universidades e da indústria, temos condições de produzir mais sem a necessidade de abrir novas áreas agrícolas. O Brasil tem muitas terras onde se pode produzir mais por alqueire do que se produz hoje. Comparado com as áreas agricultáveis do mundo, que são menores do que as do Brasil, lá fora a tecnologia permite que se produza um volume muito grande por alqueire. O nosso grande desafio é nos tornarmos mais competitivos lá fora.

AgroValorE o que falta para o Brasil alcançar o padrão que merece, comparado aos demais países?
Bacco – Eu aposto muito na questão da educação. Temos que trabalhar nesse ponto fortemente. Educar nossos jovens para entrar no mercado focado em produtividade, em tecnologia, e isso não somente no campo. Tem que ser feito na indústria, na cidade. A indústria pode ajudar nesse quesito da educação. As universidades estão se preparando melhor, e junto com a indústria podemos avançar nesse movimento de educação, desenvolvimento das pessoas, treinamentos. Esse é um elo fundamental. Com esse esforço vamos conseguir avançar mais em médio prazo. Lógico que têm outros fatores que dependem do governo.

AgroValor Gargalos como os da logística, por exemplo?
Bacco - O Brasil tem alguns entraves que podem ser tratados pelo governo. Essa dependência de logística é um ponto muito forte no agronegócio. Nós temos que fazer a nossa parte, a indústria, as universidades, e andar paralelo com as ações que o governo tem e deve fazer pelo tema produtividade no Brasil.

AgroValor O Brasil vem avançando muito na área de produção e exportação de carnes. Qual a perspectiva para 2015?
Bacco – Nos dois primeiros meses – janeiro e fevereiro – tivemos uma queda de aproximadamente 25%, em relação ao ano passado, mas quando se analisa os números, percebe-se que essa queda vai ser diluída ao longo do ano. Estamos abrindo novos mercados, e o produtor brasileiro está preocupado cada vez mais em produzir uma carne de qualidade. Existe um trabalho muito forte nos frigoríficos. A questão é cuidar da cadeia como um todo. Produzir mais e com melhor qualidade, para conseguir negociar e conquistar mercados importantes do mundo para a carne brasileira. Apesar de todas essas questões do dólar e também do mercado interno, devemos ter um crescimento nas exportações em torno de 5% ou 6% em relação ao ano anterior, o que é um bom patamar para o Brasil.

AgroValorDevemos nos preocupar mais com a atual posição no mercado internacional nesse setor?
Bacco – Devemos nos preocupar com a qualidade. A carne brasileira vem ganhando novos mercados, e mercados importantes. Agora mesmo estamos vivendo uma possibilidade do mercado americano, e isso não é qualidade. Acho que neste momento o produtor tem que se preocupar em produzir qualidade. Esse é outro grande desafio do produtor brasileiro.

AgroValor – E nesse quesito da qualidade da carne brasileira, qual é o maior esforço?
Bacco – A indústria brasileira da carne tem que se organizar, produz-se muito boi a pasto. O confinamento hoje, é um método positivo para a carne. O Brasil tem uma quantidade suficiente de terra para produzir muita carne a pasto, mas tem uma parcela muito pequena em confinamento. Temos a possibilidade de utilizar uma ferramenta que é muito forte nos Estados Unidos, que mantêm 80% do seu gado no confinamento. É uma ótima ferramenta para se utilizar estrategicamente nos períodos em que precisamos fornecer carne para fora. Terminar o gado um pouco mais rápido e colocar carne no mercado em momento estratégico. Temos muitas condições de trabalho, tanto no pasto como no confinamento.

AgroValor Qual a proporção de gado em confinamento no Brasil?
Bacco – Temos cerca de 5% ou 6% de gado confinado no Brasil, mas eu acredito muito na expansão. Até porque em alguns estados, o preço do alqueire subiu demais, e temos percebido a integração lavoura/pecuária. Por exemplo, no Paraná, uma cooperativa vem trabalhando muito forte nesse sistema de integração lavoura/pecuária. O objetivo é tirar o máximo de produtividade em determinada quantidade de terra da propriedade. Temos muito que avançar e o confinamento nos permite fazer isso. Aumentar a quantidade de arroba por ano, se usar estrategicamente esse sistema.

AgroValorEsse avanço não atrapalha a qualidade da carne brasileira? Na Europa, por exemplo, o boi é criado a pasto, comendo capim.
Bacco – Não atrapalha! Vamos competir lá fora com um gado que é muito fortemente criado no confinamento. O bom confinamento trabalha com alimentação bem balanceada, de alta qualidade para o gado. Sem nenhum problema com a terminação da carne.

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PERFIL

QUEM É
Pedro Luiz Bacco, 48, administrador, natural de Presidente Prudente, São Paulo.

O QUE FAZ
Diretor da área de grandes animais da empresa Merial Saúde Animal.

O QUE FEZ
Há 28 anos na Merial, foi responsável pela área comercial e negócios de ruminantes, suínos e equinos.

 

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