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Em tempos de sucessivas secas no semiárido brasileiro, já com previsão de ocorrência também em 2016, novas alternativas para a produção de alimentos com menor consumo de água se faz prioridade máxima. Atualmente, estima-se que cerca de 70% da água doce do planeta é utilizada na produção agrícola, o que, com a atual crise mundial de escassez de água, nos obriga a buscar novos paradigmas para sua melhor utilização e maximização da eficiência de seu uso na agricultura. Mas será possível produzir alimentos com menor quantidade de água?

Entre os sistemas de produção de alimentos, já são praticadas no Brasil, a aquicultura e a hidroponia, para a produção de peixes e de hortaliças em estufas, respectivamente. Uma das respostas, à questão acima, resulta da união desses dois sistemas, criando um ecossistema simbiótico, denominado de aquaponia, criação de peixes associada ao cultivo de hortaliças. Esse sistema de produção já vem sendo utilizado nos EUA há mais de 20 anos! Uma das referências é o Growing Power farmer, localizado na periferia da cidade de Milwaukee, criado por Will Allen/ MacArthur Foundation – em síntese, são 14 estufas dispostas em dois hectares; os peixes são criados em tanques de 10 mil litros, onde 10 mil alevinos crescem atingindo o tamanho do mercado em menos de nove meses; a água dos tanques de peixes flui em um leito de cascalho, onde o lixo se decompõe para produzir nitrogênio numa forma que as plantas podem usar; o leito de cascalho suporta uma safra de agrião, que filtra ainda mais a água; a água rica em nutrientes é então bombeada para calhas gerais para alimentar as culturas de tomates e verduras; as plantas extraem os nutrientes, enquanto os vermes no solo consomem as bactérias da água, que emerge praticamente intocada e reflui para os tanques de peixes. 

Segundo a relatório da IndustryARC o mercado da aquaponia em 2013 foi estimado em   US $ 180 milhões, com previsão de receita superior a US $ 1 bilhão em 2020. Entre as suas vantagens a IndustryARC destaca: ela precisa de 90% menos terra e água do que a agricultura convencional, mas tem o potencial de gerar 3 a 4 vezes mais alimentos do que aquela; as culturas podem ser produzidas dependendo da remuneração do mercado local e do interesse do produtor; é sustentável, rentável e orgânica. No Brasil, o pesquisador Paulo Carneiro, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), apresentou em entrevista ao programa Dia de Campo na TV os avanços obtidos no desenvolvimento de sistemas de produção de aquaponia, tanto para para a produção doméstica quanto para escala industrial.

Doutor em Agronomia e pesquisador da Embrapa

 

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