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Por Rogério Morais

As primeiras Unidades de Conservação (UC) no estado do Ceará, áreas naturais que, de acordo com a Lei nº 9.985/2000, são protegidas pela União, foram definidas sob a sua coordenação, como a APA (Área de Proteção Ambiental) de Jericoacoara, quando poucos sabiam o que era esse patrimônio ambiental do litoral brasileiro. A primeira reserva no Bioma Caatinga, também no Ceará (em Aiuaba), única do Nordeste, também foi criada sob a sua responsabilidade. O geógrafo Renato Aragão, 77, gerente do Núcleo de Meio Ambiente, da Fiec, evita aprofundar-se em análises dos problemas ambientais brasileiros, embora seja grande conhecedor do tema, prova disso é que permanece há várias gestões à frente desse setor na entidade que presta serviços aos empresários. Nesta entrevista, muito cauteloso, ele considera que o Brasil já é destaque relevante no trato com a natureza.

AgroValorA consciência ambiental dos brasileiros está evoluindo, existem mudanças nesse sentido?
Renato Lima Aragão – Claro, está mudando, porque quando começamos nessa luta [há 40 anos], nós tínhamos dificuldades até para explicar o significado de “meio ambiente”. Era preciso ir nos jornais para falar sobre o assunto. Hoje já sabemos que o meio ambiente somos nós e há a consciência de que isso é necessário para a qualidade de vida no futuro.

AgroValorQual o Bioma, no Brasil, que mais necessita de cuidados, atualmente?
Aragão – Eu vou falar somente do que eu conheço bem: a Caatinga. A Caatinga é um Bioma característico que só existe no Brasil, e só tem aqui no Nordeste. Hoje, a grande luta é contra a desertificação, e temos que cuidar, porque onde tem a Caatinga pode virar um deserto. Temos também que observar o problema do desmatamento da Amazônia. A presidenta [Dilma Rousseff] e o Obama [Barak Obama, presidente do EUA] disseram que até 2030 ainda vai se desmatar muita coisa.  Então, é muito perigoso dizer isso, pois devemos é lutar para que cesse o desmatamento na Amazônia.

AgroValor – E quanto aos dirigentes empresariais, estão também incorporando essa nova mentalidade?  Eles estão criando uma nova consciência?
Aragão – Já há uma consciência muito grande. O empresário já entende que tem que se enquadrar na legislação ambiental. É o que eu lembrei sobre o passado, que era difícil até para explicar do que se travava. Hoje é bem diferente, aqui mesmo, na Fiec, existe um Núcleo somente para atender os empresários. Anualmente, promovemos um concurso para destacar as indústrias nos quesitos como educação ambiental, reuso de água, produção mais limpa e o convênio ou integração com a sociedade.

AgroValor Como o sr. avalia as reclamações de certos setores produtivos sobre o que se considera enormes barreiras ou ‘atrasos’ para o licenciamento de projetos?
Aragão – Não existe mais isso de atraso, como você falou.  Aqui mesmo, na Fiec, temos acompanhado e orientado nesses processos. Vale dizer que no setor de aquicultura, no setor de criação de camarão, normalmente os órgãos ambientais fiscalizam áreas de proteção, as APPs, no caso dos mangues, das matas ciliares etc. Mas não temos grandes problemas, muito pelo contrário, as indústrias sabem que para concorrer têm que se adequar às normas ambientais.

AgroValorNo sentido global, o Brasil já é visto como uma nação que está evoluindo nesses critérios internacionais?
Aragão – Estamos evoluindo bastante, com certeza. Toda a sociedade está debatendo sobre o problema da água. Os jornais. O setor empresarial cearense, que é o que eu quero destacar como conhecedor do assunto, demonstra uma grande responsabilidade ambiental. Hoje temos destaque nas RRPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), em reservas naturais e nas unidades de conservação.

AgroValor A legislação ambiental no Brasil, em sua opinião, precisa de ajustes?
Aragão – Nossa legislação é uma das mais rígidas do mundo, está muito boa e é perfeita. Comandada pelo Paulo Nogueira Neto [naturalista,  professor, jurista e sociólogo], o pioneiro no Brasil, portanto a nossa legislação é muito boa. E o que temos que fazer é cumprir a legislação para garantir para a posteridade o desenvolvimento sustentável. E o que é o desenvolvimento sustentável? É utilizar hoje os recursos naturais e saber que, depois, seus netos e bisnetos terão os mesmos recursos para poderem viver bem.

AgroValor – Sobre a educação ambiental no Brasil, podemos também dizer que estamos bem nesse tema?
Aragão – Está excelente. Os Conamas (Conselho Nacional do Meio Ambiente), nos Estados, através dos conselhos do meio ambiente, são atuantes, de modo que o Brasil não é mais um país atrasado nesse setor. Pelo contrário, é um país onde a organização ambiental é muito rígida, boa, e está sendo cumprida.

AgroValorE as empresas, de modo geral, estão percebendo esse negócio como um valor agregado de mercado?
Aragão – Claro! Hoje, a maioria das nossas indústrias, a maioria mesmo, posso dizer, já estendeu o serviço de gestão ambiental dentro das empresas. Todos se preocupam com o licenciamento, com as placas, com os efluentes [resíduos líquidos ou gases provenientes das indústrias] que são lançados no meio ambiente. O Ceará, na questão ambiental, é um bom exemplo nacional e estamos recebendo observações de outras unidades da federação.

AgroValorComo a Fiec chama a atenção da sociedade para as questões ambientais?
Aragão – O setor industrial cearense já tem grande consciência sobre a preservação ambiental. O atual presidente da Fiec, Beto Studart [Jorge Alberto Vieira Studart Gomes], é um pioneiro nessas questões aqui no Ceará. O Núcleo de Meio Ambiente foi criado com foco na sensibilização do industrial cearense, quanto ao aprimoramento da gestão ambiental nas organizações e a prevenção e controle da poluição. Busca ampliar a área de alcance das informações e orientações sobre os temas junto às indústrias locais, por meio da realização de eventos, como o “Prêmio Fiec por Desempenho Ambiental”.

AgroValorQuais as atividades mais em evidência?
Aragão – O Núcleo de Meio Ambiente da Fiec é responsável pela orientação às empresas das suas obrigações com relação ao Meio Ambiente, exercendo ainda o papel de Secretaria Executiva do Conselho Temático de Meio Ambiente. Executa suas atividades participando de reuniões nos órgãos ambientais, orientando técnicos e empresários na solução de problemas pendentes. Orienta as indústrias sobre legislação ambiental municipal, estadual e federal, e presta assessoria jurídica às indústrias autuadas pelos órgãos ambientais competentes, ou que estejam em busca de regularização ambiental.

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QUEM É
Antônio Renato Lima Aragão, 77, cearense de Ibiapina, geógrafo e economista.

O QUE FAZ
Gerente do Núcleo de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

O QUE FEZ
Fundador da Semace e Coema. Esteve à frente da criação das primeiras unidades de conservação do Nordeste.

Foto: Arquivo pessoal

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