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Por Rogério Morais

Com a seca que predomina em várias regiões do Brasil, principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste, quando o assunto envolve diretamente o consumo das famílias, o tratamento e reúso de águas de afluentes é a “bola da vez” dos debates acadêmicos. Gestores, empresários, pesquisadores e até inventores, no momento seguem uma pauta de preocupação com a falta de água também para a produção industrial e até no agronegócio.

O governo federal e todos os governos estaduais estão sintonizados nessas atividades. Federações das indústrias também já se mobilizam contra o desperdício de água, mesmo depois de usada. Só para se ter uma ideia, no estado do Ceará, um dos que mais é atingido pela seca, o governo vem adotando diversas medidas no sentido de coibir “estragos”. Cortes na irrigação e nenhuma outorga está sendo concedida, reclamam os empresários.

Virou ouro
A água no Nordeste, com a previsão de mais um ano de seca em 2016, “virou ouro”, para os órgãos que fiscalizam o consumo. A fiscalização e punições aumentaram no único rio (Jaguaribe) que abastece o consumo através do maior açude da região, o Castanhão. Até helicópteros da polícia militar estão sendo usados para controlar o uso da água. No entanto, para o professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fernando Braz Tangerino Hernandez, o reúso da água no Brasil ainda “é muito incipiente. ... Nós fazemos ainda pouco aproveitamento da água, dos resíduos industriais e também das estações de tratamento de água”.

Para o professor Tangerino Hernandez, especialista em hidráulica e irrigação, no Campus de Ilha Solteira, da Universidade, “o Brasil ainda engatinha”, pois nem a metade dos municípios do Brasil tem tratamento de esgotos, “então nós temos um longo caminho a perseguir”, conclui ele. Diz que o uso dos efluentes é fundamental para “que você mantenha a qualidade da água nos mananciais e também aumente a ‘produtividade’ através dessa água”, tema que passou a ser prioridade nos congressos e seminários.

Hernandez, que conhece bem a eficiência em outras regiões do mundo que também têm baixa pluviometricidade, a exemplo do Nordeste brasileiro, diz que “outros países já fazem isso”, ou seja, o reúso da água. Cita a Califórnia, nos Estados Unidos, “que usa a água dos efluentes urbanos para irrigar jardins, parques, pistas, gramados”, lembra. Ele esteve em Fortaleza, participando de um evento que tratou desse e de outros assuntos relacionados com o bom uso da água.

Patrimônio
Professor Hernandez diz que “os nossos esgotos domésticos são muito ricos em nitrogênio e fósforo, principalmente”.  E, quando você tem um ambiente rico em fósforo e nitrogênio, temos então uma brutal economia de água desses nutrientes, comenta. “Um excelente produto para uma cultura que, obviamente, não vai ser consumida in natura.”, ressalta, mas com ele podemos irrigar milho, cana, feijão, soja, e algumas frutas, defende o professor.

Indagado se o Brasil já aplica essas práticas na indústria e/ou até mesmo na agricultura, ele afirma que “o país ainda não acordou de maneira significativa, e precisaria priorizar investimentos”. Sobre a participação do governo ele é enfático ao afirmar que o Estado“não tem feito a sua obrigação nesse setor”. E lembra que nem uma regulamentação sobre o reúso da água existe no Brasil. 

 

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