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O Ceará é o terceiro maior produtor de tilápia do Brasil, atrás de São Paulo e Paraná, mas vem perdendo competitividade. O Nordeste tem temperatura ideal para o desenvolvimento da espécie, abundância de água represada, mas perde em tecnologia e carência de financiamento produtivo na cadeia.

O AgroValor visitou um dos maiores projetos do setor no país, implantado em 2011 pela multinacional MCassab, empresa de capital 100% nacional, que atua em vários segmentos. Fica no município de Rifaina, São Paulo, a 460 km da capital. O projeto administrado pela divisão MFoods tem tanques-rede de oito hectares no rio Grande, que separa os territórios paulista e mineiro. A planta frigorífica de filetagem representa um investimento de R$ 35 milhões apenas na estrutura, como explicou o engenheiro agrônomo, Gustavo Bozano, responsável pela produção e processamento do pescado. O projeto, aprovado pelo Ministério da Agricultura, tem capacidade de processar 20 toneladas de peixes por dia. “Podendo chegar a 80 toneladas/dia em dois turnos”, acrescenta.

A empresa inova pela tecnologia, desde a produção, em tanques-rede, passando pela industrialização e formação de produto adequado ao gosto popular (filé). Segundo Bozano, o Brasil hoje é um mercado aberto para o crescimento do setor, “pois estamos importando o nosso peixe caro”. E acrescenta que a piscicultura é que vai fornecer a proteína animal nos próximos anos. Para ele, o Brasil tem um enorme potencial de consumo de pescado e a tilápia “vai estar no rol das principais espécies produzidas”.

Tudo é feito com alta tecnologia desde a alimentação dos peixes nos tanques, passando pela captura e entrega ainda vivos no abatedouro, a 20 km de distância, sem nenhum contato humano. A ração é distribuída por pressão, via dutos, ligando o depósito até as gaiolas, e a captura é feita por sucção. Tudo para ganhar em produtividade, higiene e, principalmente, em qualidade, como esperam os consumidores mais exigentes.

A empresa vem fazendo uso de uma tecnologia bastante diferenciada das práticas até então utilizadas no Brasil: A reversão sexual de larvas.  Enquanto no processo normal usa-se ração com hormônio para fazer a reversão ou inversão sexual, a MCassab usa a temperatura baixa da água para transformar os alevinos em machos. Nesse processo, consegue-se entre 80 a 85% de sucesso, enquanto que no processo hormonal é acima de 95%. De acordo com Bozano, a empresa “busca o lucro, mas também a responsabilidade social e ambiental”. Além disso, ele argumenta que o consumidor europeu ou americano não vai querer consumir um peixe em que se “utilizou hormônio, mesmo em uma pequena dose”.

Bozano esclarece que não há desvantagem no novo método. Ao fazer a primeira classificação do peixe, em torno de 30 gramas, já se excluem 5% dos peixes menores, as fêmeas. E na estrutura de engorda, ficam entre 85% a 93% de machos, percentuais que se aproximam daquele do processo normal. Ele aponta ainda o fator competitividade do Nordeste: “Os grandes produtores de tilápia da região mandam filetar o peixe em São Paulo, com custo muito alto”, lembra.

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NORDESTE PERDE

Ceará é o terceiro produtor de tilápia do Brasil, mas vem perdendo competividade.
Nordeste perde em tecnologia e carência de financiamento produtivo na cadeia.
Em São Paulo, frigorífico pode processar até 20 toneladas de tilápia/dia.
Grandes produtores do NE mandam filetar a tilápia em SP, aumentando o custo. 

Foto: Divulgação

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