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por Rogério Morais

O empresário cearense Jorge Alberto Vieira Studart Gomes, 67, conhecido como Beto Studart, assumiu a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), no final de 2014, com um posicionamento otimista diante da crise que já se apontava ao término do primeiro mandato da presidenta Dilma. “Confiamos que a economia e a indústria do Brasil nos darão provas de força para superar obstáculos”, diz nesta entrevista ao AgroValor, após a sua posse na entidade que representa 39 sindicatos. Considerado um empresário de sucesso desde jovem – aos 23 anos de idade assumiu a presidência de uma empresa de produtos agropecuários (Agripec) que ganhou destaque mundial –, Studart acredita nas ações do governo para a retomada do crescimento e prefere “focar nas possibilidades e formas de acertos”, afirma.

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AgroValor – É possível evitar as dificuldades econômicas e financeiras previstas para o Brasil, conforme os analistas?

Beto Studart – Para o ano de 2015, são esperados alguns desafios, especialmente no curto prazo, como a redução do déficit, a liberação do câmbio e o controle da inflação. Pelo atual cenário, com alto nível de incerteza, é pouco provável que uma retomada do crescimento ocorra logo no início do ano porque depende de investimentos em infraestrutura, mas confiamos que a economia e a indústria do Brasil nos darão provas de força para superar obstáculos.

AgroValor – Onde mais o governo do Brasil vem errando, em relação ao seu crescimento? Os investimentos deveriam focar em quais setores ou projetos?

Studart – Prefiro focar nas possibilidades e formas de acertos. Estamos convictos de que as ações devem buscar reduzir entraves como o excesso de burocracia, a alta carga tributária e a pouca flexibilidade nas relações de trabalho e suprir lacunas na infraestrutura.  Tudo isso aumenta o custo de produção, o que, obviamente, reduz a competitividade das empresas brasileiras. O nosso capital humano precisa ser aprimorado e é necessário o estímulo à inovação.
 
AgroValor – O que mais atrapalha a administração federal? O Legislativo, as denúncias de corrupção ou a falta de competência?

Studart – A falta de competência não é desejável em nenhum contexto, seja no âmbito privado ou público. O combate à corrupção faz parte da melhoria do ambiente institucional e, por isso, não apenas deve ser estimulado por todos, como deve ser compromisso de todos. No que se refere ao Poder Legislativo, especialmente ao elaborar leis sobre assuntos centrais para o país e ao fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, ele também é determinante para o aumento da qualidade das instituições brasileiras. E é necessário que nós, enquanto instituições e sociedade organizada, possamos acompanhar, cobrar e contribuir para a melhor atuação dos nossos parlamentares.

AgroValor – O Brasil também tem crise de gestores em todos os níveis administrativos, inclusive nos Estados?

Studart – A melhoria da gestão é um dos fatores determinantes para o aumento de produtividade na nossa indústria, um ponto de preocupação constante. Otimizar processos e inovar produtos são questões que devem estar na agenda permanente, tanto do setor público, quanto da iniciativa privada. Naturalmente, nesse tema, precisamos de seguidos avanços. Por meio de projetos e ações das nossas casas, o Sesi, Senai e IEL, em parcerias com diversas instituições e também com os governos, estamos imbuídos do propósito de investir muito nessa área, capacitando profissionais com foco na gestão de excelência que nossa indústria e nosso país demandam.

AgroValor – Nos últimos anos, o país vem enfrentando barreiras comerciais diversas. Isso se deve à falta de diplomacia, de decisões do próprio governo ou falha na competitividade internacional?

Studart – Não podemos esquecer que barreiras comerciais estão fortemente relacionadas ao poder de barganha que os países ou blocos comerciais possuem. E esse poder deriva de inúmeros fatores, inclusive históricos. Outras questões, como o capitalismo de Estado que alguns países praticam, também afetam o comércio internacional. Mas, sobre a agenda brasileira para melhorar o acesso a mercados, consideramos que ela seja fundamental para termos ganhos de escala e nos inserirmos nas cadeias globais de valor.

AgroValor – Como o sr. analisa a nossa aproximação crescente com a China?

Studart – O desempenho da economia chinesa, e de outras economias asiáticas, determinou forte impacto nas condições de concorrência de produtos industriais em todo o mundo. Mas é importante destacar que a agenda de negociações comerciais do Brasil não pode ignorar outras importantes economias emergentes, como África do Sul, Índia e México, por exemplo. Obviamente, o risco deve ser controlado pela correta seletividade na escolha dos parceiros econômicos.

AgroValor – Os outros mercados do bloco BRICS são realmente vantajosos para o Brasil, nesse momento? Ou o sr. identificaria blocos ou países mais atraentes?

Studart – As relações com os outros países do BRICS trazem benefícios para a inserção internacional da economia brasileira, mas precisamos construir e aprofundar relações com economias em desenvolvimento, como África do Sul, Índia e México; com o Mercosul, cujos acordos devem ser revistos, buscando melhorar o fluxo de mercadorias, bens e serviços e oferecer segurança jurídica e maior previsibilidade; e com a América do Sul, visando a construção de um ambiente em torno de comércio e investimentos, infraestrutura e energia. Obviamente, a agenda comercial não pode prescindir de uma estratégia permanente de negociações com a União Europeia e com a maior economia do mundo, os EUA.

AgroValor – Como essas novas relações podem alavancar a indústria brasileira?

Studart – Uma maior inserção internacional, apoiada por participações efetivas em acordos comerciais com outras economias, determinará o surgimento de excelentes oportunidades para a indústria brasileira, que, com isso, terá ganhos de escala e vantagens reais em um ambiente de forte concorrência e, ainda, se beneficiará fortemente da inserção nas cadeias globais de valor.

AgroValor – O crescimento da indústria cearense passa por quais projetos ou programas que merecem prioridade do governo?

Studart – Aproveito a pergunta para parabenizar a abertura ao diálogo que o governador eleito, Camilo Santana, demonstrou após a eleição, sinalizando um novo tempo nas relações entre o setor produtivo e o governo estadual. As contribuições do setor industrial para maior êxito de seu governo foram consolidadas na Agenda da Indústria do Ceará, entregue a Camilo no final de novembro último. No documento, evidenciamos a necessidade do fortalecimento de ações de planejamento do Estado, de uma gestão com maior participação e diálogo do setor produtivo, de medidas para simplificação normativa e desoneração dos tributos estaduais, da revitalização dos distritos industriais, melhoria do capital humano através de ações ligadas à educação e saúde, assim como o maior desenvolvimento das políticas de apoio à inovação tecnológica e a setores ligados à tecnologia, com grande agregação de valor. 

AgroValor – O sr. reconhece alguma integração entre as entidades do setor industrial, o Congresso e os governos – federal e estaduais – para solucionar os gargalos atuais?

Studart – É fundamental que os governos federal e estaduais possam integrar suas ações com os esforços que a indústria tem realizado para inovar, ganhar eficiência e, consequentemente elevar a competitividade.

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PERFIL

QUEM É
Jorge Alberto Vieira Studart Gomes – Beto Studart –, 67, cearense de Fortaleza, empresário e administrador.

O QUE FAZ
Preside a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e o Grupo BSPAR Incorporações.

O QUE FEZ
Criou há 11 anos a Fundação Beto Studart de Incentivo ao Talento e investiu R$ 30 milhões no projeto do primeiro coração artificial brasileiro portátil.

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Foto: Divulgação

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