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Por Rogério Morais

O Brasil vai engordar, através de confinamento, 4,478 milhões de bovinos em 2015. Essa produção é 7,65% maior do que os números registrados em 2014. Os dados são da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), tirados de uma pesquisa feita em fevereiro com os empresários. Nos Estados Unidos, referência mundial nesse sistema, mais de 90% do gado engorda confinado. Mas a novidade brasileira, que ainda tem muito a crescer, segundo especialistas ouvidos pelo Agrovalor, é que a nova mentalidade ganha corpo com rapidez.

Ferramenta nova
“O Brasil tem uma excelente condição de produzir gado a pasto, mas nós temos uma ferramenta muito forte para ofertar carne no mercado, que é o confinamento”, diz Pedro Bacco, diretor da Merial Saúde Animal. “Somos ainda muito pequenos” (no confinamento), acrescenta. O país tem, segundo ele, cerca de 5 % do seu rebanho para abate, em curral.

Bacco destaca também outro fator positivo para o desenvolvimento de engorda de boi preso: o crescimento acelerado do sistema de integração lavoura-pecuária. Indagado sobre a qualidade da alimentação recebida pelo boi confinado, e sobre o Brasil mudar seu clássico marketing, reconhecido mundialmente, de carne saudável de boi criado a pasto, por uma nova imagem, de boi confinado, ao estilo americano, ele diz que no novo sistema, no Brasil, a alimentação é muito boa.

 

"O CONFINAMENTO NO BRASIL AINDA VAI CRESCER MUITO, OS ESTADOS UNIDOS “JÁ ESTÃO COM MAIS DE 90% DA PRODUÇÃO CONFINADA”
ANDRÉ PERRONE
AGROPECUÁRIA MONTE ALEGRE (SP)



Essa preocupação com a qualidade da alimentação é patente entre os criadores, conforme os técnicos. “Nós podemos oferecer uma dieta bem balanceada”, garante Bacco. Sobre esse ponto, André Perrone, da Agropecuária Monte Alegre (SP), reforça o critério: “No confinamento, os animais em currais recebem alimento e água de qualidade todos os dias, com a mesma quantidade e qualidade nutricional”.

Crescimento
Conforme Perrone, o confinamento de gado no Brasil começou na virada dos anos 1990 para a década de 2000, com uma visão voltada para o formato americano. E garante que, atualmente, essa técnica no Brasil “é tão boa como nos Estados Unidos, que são líderes em confinamento”, acrescenta. De acordo com Perrone, o Brasil ainda vai crescer muito mais, e lembra que nos Estados Unidos “eles já estão em mais de 90% da produção confinada”.

Ainda sobre as vantagens, Perrone destaca que “no confinamento, se consegue encurtar o ciclo do animal, e obter uma melhor padronização de carcaça”. Explica que todos os animais comem a mesma qualidade do alimento, no mesmo horário e quantidade pré-estabelecidos. Outra grande vantagem é o melhor aproveitamento de subprodutos da agroindústria regional na formação da dieta dos animais. Ele diz, inclusive, que isso chama a atenção “do pessoal de fora” que vem conhecer o processo brasileiro. O Brasil, pelas suas condições naturais, por ser um dos maiores produtores de grãos e frutas, inclui na dieta dos animais polpa cítrica, gérmen de milho, e outros, que são convertidos em carne, explica.

Nos confinamentos americanos e europeus, a alimentação do animal é o milho, “e isso acaba competindo com a alimentação humana”, lembra Perrone. A outra relevante vantagem, que, segundo ele, envolve interesses diversos, é a utilização da terra. Se hoje o Brasil tem cerca cinco milhões de bois confinados, precisaria de cinco milhões de hectares na criação a pasto, para terminar o animal. E um detalhe importante, acrescenta Perrone, quando um animal é alimentado com uma dieta balanceada, equilibrada, “ele emite um teor muito menor de gás metano do que quando é criado no pasto, comendo somente capim”.

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Boi preso
O Brasil vai engordar 4,478 milhões de bovinos confinados em 2015.
Essa produção é 7,65% maior do que os números registrados em 2014.
Nos Estados Unidos, o índice de produção de confinados é de mais de 90%.


Foto: Divulgação

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