AgroValor Publicidade
AgroValor

Por Rogério Morais


“Ainda é elevado o consumo de carne clandestina no Brasil, principalmente no Nordeste”. A denúncia de um empresário do setor, apesar de representar um grave problema para as populações dessa região, não é o principal gargalo que o setor enfrenta no momento. O Brasil é o maior exportador mundial do produto, no entanto, desde o quarto trimestre de 2014 vem encontrando uma série de novas barreiras que o impedem de manter o setor em expansão.

O AgroValor conversou com o diretor de negócios de Mercado Interno e Externo, da Frigol, em Lençóis Paulista (SP), onde está uma das quatro unidades do grupo, o jovem economista e administrador de empresa, Dorival de Oliveira Jr., 26 anos. Em sua avaliação, desde outubro do ano passado, o setor de frigorífico “passa por um momento muito delicado”.


Competição

Desde 2010, quando enfrentou a competição dos grandes grupos que passaram a comprar os menores, a Frigol, conforme Oliveira, teve que tomar como referência o empreendedorismo e a garra familiar no agronegócio. Decidiu-se por ofertar no mercado produtos diferenciados, com maior valor agregado, e conquistar mercados. “Conseguimos fazer o diferencial e manter a competição com os grandes grupos”, frisa.

A empresa dobrou de tamanho nos últimos quatro anos. O ano de 2010 “foi um divisor de águas no setor, mas de vinte plantas quebraram e a Frigol foi uma das poucas que ficaram e está em franco crescimento”, destaca. A receita líquida em 2014 foi de R$ 1,1 bilhão, crescimento de 40%, e a meta para 2015 é R$ 1,5 bilhão, conforme Oliveira. São quatro unidades: São Paulo, com uma de bovinos e outra de suínos, e duas de bovinos no Pará. Conta com quase dois mil empregados.


Exportação

Como o setor está muito voltado para a exportação e um dos maiores compradores do Brasil - Rússia - deixou de comprar a carne brasileira, devido a problemas políticos e econômicos, a situação se complicou. As vendas para aquele país caíram 80%, informa. Mas, para ele, o problema do Brasil em relação ao mercado internacional de carne é carência de diplomacia, “falta de política”. “A nossa carne já tem qualidade competitiva, todas as exigências sanitárias dos países compradores são atendidas e temos grande ofertas”, relaciona.

O Brasil necessita de diplomacia comercial e ainda não conseguiu vender para os maiores compradores do mundo, como os Estados Unidos. Questão ainda para se levar em conta, é que nesse período, ou seja, do final do ano passado para cá, não houve redução de produção de carne no Brasil, “e essa carne que deixou de ser vendida para a Rússia, passou a ser vendida para o mercado interno”. E, como consequência dessa super oferta interna, “os preços foram lá para baixo”, explica o empresário.

Segundo o dirigente da Frigol, o preço do boi está em nível alto, e tem também a redução de compra dos países produtores de petróleo do Oriente Médio que, por conta da crise de preço do barril de petróleo, esses países também reduziram as importações, e as exportações brasileiras para eles também foram reduzidas. Além desses gargalos macroeconômicos, tem o fator microeconômico brasileiro: O fato é que, devido à própria crise econômica interna neste início do segundo governo Dilma, “a carne está cara para o consumidor brasileiro”, conclui.

______________________
 

Carne do Brasil

Produção está voltada para a exportação.
No mercado interno o produto está caro para o consumidor.
Rússia, um dos maiores compradores, reduziu as compras em 80%.  
Países produtores de petróleo do Oriente Médio também reduziram: crise no valor do barril de petróleo.


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

 

comments powered by Disqus
 
INSTAGRAM
Rua Pinho Pessoa, 755, Fortaleza/CE
CEP 60.135-170
Central de Relacionamento
AgroValor (85) 3270.7650
Copyright © 2006-2014
WSete Design