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por Rogério Morais

Chega a ser estranho para os servidores do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) a falta de um posicionamento político, no período eleitoral, quanto à atual situação do órgão. O desinteresse de governadores e candidatos da região sobre o tema também é incompreensível. Afinal, se ele ainda não parou, é prevista a sua morte, com o minguado quadro de pessoal (de 15 mil servidores, restam cerca de 1.500 para atuar em nove Estados). 

O Dnocs foi “o primeiro no Brasil a montar um sistema de irrigação em escala, em Morada Nova (CE), com 2.500 hectares. Antes fazia pequenos projetos pelo método gravitário”, explica o engenheiro agrônomo do órgão, Evandro Bezerra.

Inanição
“Extinção por inanição”, diz o engenheiro civil e administrador da autarquia, Clésio Saraiva. Mestre em Economia, ele afirma que o Dnocs foi “extinto em primeiro de janeiro de 1999, no governo de Fernando Henrique”, quando recebeu o maior aporte de recursos financeiros de todos os tempos, numa Medida Provisória que acabou não valendo. De lá para cá, na prática, o órgão vem sofrendo as consequências.

Com a criação de novas tecnologias, acrescenta Bezerra, “as adaptações foram sendo usadas, como o método por aspersão e gotejamento”, para ele mais econômico, em termos de água, além de evitar a salinização. As mudanças desses sistemas se deram devido aos estudos da textura do solo e das novas tecnologias ofertadas, pois os “métodos de irrigação dependem basicamente desses dois fatores”, afirma. De acordo com o agrônomo, as características do semiárido nordestino são “sui generis; não há nada igual”, garante. Ele ressalta, por exemplo, que no Oriente Médio (Israel) tem região semiárida, mas pertence a uma zona temperada; “é bem diferente do semiárido nordestino”. Segundo ele, as áreas semiáridas nas zonas temperadas têm quatro instrumentos de água: geada, nevada, granizo e chuvas. “E aqui (Nordeste), somente chuvas. A água! Que se repete com quantidade irregular”, lembra.

Considerando que hoje só é possível viver no semiárido brasileiro graças à estrutura hídrica do Dnocs, Bezerra fala sobre o período de seca de 1877/79, quando “morreu mais de um milhão de pessoas” no Nordeste. Ele afirma, com base em estudo de Rodolfo Theófilo, no seu obituário de Fortaleza, que, à época, morreram mais de 70 mil só na capital cearense.

“De olho”
O engenheiro Saraiva destaca o grande potencial presente na estrutura do Dnocs, responsável pelo sustento de centenas de municípios da região Nordeste (ver Box). “Uma riqueza que tem gente de olho, por isso o órgão não pode ser extinto”, defende. Ressalta, porém, que não tem “elementos concretos” para tal afirmação. Para ele, a estrutura montada durante todos esses anos comporta condições para se produzir, através da irrigação, e “que não é fácil” para um governo ou iniciativa privada montar. “Isso tem um custo alto, inclusive se comparado à estrutura de Israel. Tudo feito pelo Estado”, finaliza.

NÚMEROS DNOCS
105 anos de fundação
321 açudes próprios
600 açudes em cooperação
900 açudes em parcerias municipais
34 perímetros irrigados, com frutas, legumes e outros itens, como o pescado
14 estações de piscicultura, com um milhão de toneladas de pescado/ano, apenas no Castanhão

Foto: Divulgação

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