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por Rogério Morais

O Brasil vem perdendo competitividade no setor de camarão com o resto do mundo, e isso não é novidade para o governo. Ou melhor, para os empresários as autoridades não estão se importando com o problema. O ministro da Pesca e Aquicultura, Eduardo Lopes (senador pelo PRB-RJ), disse ao AgroValor que “temos que reduzir o chamado custo Brasil, que ainda é muito elevado”, e concorda que “é muito difícil a competitividade com países da Ásia, como China, Tailândia e Vietnã”, que “quase quebram o setor nacional”, conforme empresários.

Menos impostos
Disse o ministro Lopes que o governo tem que desonerar a cadeia do pescado, e um dos pontos, que, segundo ele, já tratou com a presidenta Dilma, é a desoneração do setor de ração. “O maior custo na produção de camarão está na ração, que chega a até 80%”, destaca, e lembra que essa política já existe no bovino e suinocultura”, então é  “uma questão de isonomia”.

O ministro esteve em Fortaleza, no maior evento do setor, reunindo mais de setenta empresas, um espelho para os cerca de 30 mil produtores, onde o Nordeste se destaca. O Brasil, em 2003, chegou a produzir 90 mil toneladas de camarão/ano. O Ceará responde pela metade dessa oferta. Houve uma grande queda nas exportações, com a perda da competição com países asiáticos, e a partir de 2013 o setor voltou a tomar fôlego por conta do consumo interno.

A produção deste ano deverá chegar a 80 mil toneladas, com crescimento médio de 10% em relação ao ano anterior, todas consumidas internamente. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), engenheiro de pesca Itamar Rocha, lembra que o consumo interno poderia ser muito maior. “O brasileiro está consumindo 550 gramas/ano de camarão e come 55 quilos/ano de carne vermelha”.

Crédito
Para Lopes, “a pior crise – a partir de 2003 – já passou”, e diz que “o grande problema é o crédito”. Ele nega que o setor esteja endividado e assegura que “o que temos que fazer é mais facilidade ao crédito para que esse crédito subsidiado possa alavancar o crescimento”, completa.

Para o presidente da ABCC, no entanto, os gargalos do setor não são tão simples. O maior problema é a questão do licenciamento. “Sem licença não tem crédito, não tem financiamento”, reclama Rocha, e denuncia que “o governo não dá a licença que o produtor tem direito”. E diz mais: dos 30 mil produtores brasileiros, “somente 21% têm licença e apenas 5% contam com financiamento”. Falta também aos bancos de fomento apoiar o setor, segundo o dirigente da entidade: “Na abertura do evento, estava todo mundo, exceto BNDES, BNB, Caixa Econômica e Banco do Brasil, que devem financiar investimento e custeio do pequeno, médio e grande produtor”, desabafa.

Indagado sobre o endividamento do setor, Rocha responde: “Se o setor estivesse endividado, se o Nordeste estivesse endividado, não tinha cana-de-açúcar, não tinha fruticultura, no Brasil estaria tudo parado. Nós temos uma linha de crédito para o Nordeste que é o FNE, que foi criado para apoiar atividades em dificuldades, mas que gere emprego e renda no meio rural”, defende.

SAIBA MAIS

O Brasil produz 80 mil toneladas de camarão/ano de cativeiro
O Ceará responde pele metade dessa oferta
País perdeu mercado externo e produção atual é toda para o mercado interno

Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

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