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O desinteresse cada vez maior da estatal no Ceará preocupa os cerca de 550 empregados locais e os mais de 2.000 terceirizados. Por enquanto, restam a Lubnor e a Usina de Biodiesel de Quixadá. Só não se sabe até quando

No dia 29 de janeiro de 2015, o Ceará recebeu um dos maiores baques dos últimos anos, já que a Petrobras anunciou que estava desistindo oficialmente do projeto da refinaria Premium II, desfazendo um sonho de décadas da sociedade local. O que muita gente não sabia era que aquela fatídica decisão seria apenas a "ponta do iceberg" de um plano de desinvestimento muito maior que a estatal preparava para o Estado, que começou a vir à tona neste ano, quando a empresa colocou à venda a termelétrica e o terminal de GNL do Pecém, além de todos os seus campos de petróleo localizados em território cearense, em terra e em mar.

A primeira má notícia veio em março de 2016, quando a Petrobras anunciou a decisão de vender as concessões dos dois campos produtores de petróleo em terra (Fazenda Belém), localizados entre Aracati e Icapuí e responsáveis por 180 empregos diretos e cerca de 250 indiretos.

Em julho, a estatal comunicou que também estava abrindo processo competitivo para a venda de seus quatro campos em águas rasas (Atum, Curimã, Espada e Xaréu), que ficam no litoral de Paracuru e contam com nove plataformas no total. Uma delas, a PXA02, em Xaréu, já está até autorizada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) a suspender atividades neste ano, algo que ainda não aconteceu.

Arrecadação e emprego
Além dos campos de petróleo, a Petrobras anunciou, em junho, que havia colocado à venda a TermoCeará, usina termelétrica que tem 220 MW de potência instalada, localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), e o terminal de regaseificação do Ceará, que fica no Porto do Pecém e fornece GNL para a própria TermoCeará e também para a Enel TermoFortaleza. Com a venda desses ativos, trabalhadores já estão preocupados com os rumos de suas atividades.

De acordo com a Petrobras, a empresa tem hoje, no Ceará, um efetivo de cerca de 550 empregados, além de funcionários de empresas prestadoras de serviços. "São mais de 2.000 terceirizados, isso tirando a BR Distribuidora e a Liquigás, subsidiárias que também estão à venda. Atualmente, ainda não se perdeu empregos porque as vendas não foram concretizadas", diz o vice-presidente do Sindicato dos Petroleiros do Ceará e do Piauí (Sindipetro CE/PI), Jorge Oliveira. Em julho, a entidade informou que a venda de ativos poderia impactar em 60% da arrecadação dos municípios envolvidos, enquanto a estatal não fechar negócio com nenhuma empresa interessada.

Cada vez menos poços
Outro sinal de que a Petrobras está cada vez menos interessada no Ceará é a contínua queda no número de poços de petróleo localizados no Estado. A exploração terrestre, por exemplo, apresentou recuo considerável na última década, segundo a ANP, posto que, em fevereiro deste ano, o Estado contava com 261 poços produtores em terra, 31,6% abaixo de 2005, quando o Ceará possuía 382. Em números reais, 121 poços a menos.

Governo acompanha
Segundo o secretário de Infraestrutura do Estado, André Facó, o governo tem acompanhado a venda de ativos da Petrobras de perto. "O importante é não desativar estes equipamentos, mas concedê-los a quem possa investir e aumentar a produção, algo que a estatal não está podendo fazer no momento". Ele admitiu que, no início, as empresas privadas podem reduzir o número de postos de trabalho para investir em infraestrutura e, no futuro, voltar a gerar mais empregos.

Em nota, a Petrobras reforçou que "não vai sair do estado do Ceará". Segundo a estatal, as vendas de ativos "são realizadas por meio de processos competitivos, para os quais foram convidadas empresas previamente selecionadas considerando seu potencial de investir de forma sustentável". Depois das vendas já anunciadas, no entanto, a Petrobras deve seguir no Ceará apenas com a Lubnor, no Mucuripe, e a Usina de Biodiesel de Quixadá. Resta saber até quando.

Diário do Nordeste
Foto: Divulgação

 

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