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por Rogério Morais

Um dos pontos em destaque do documento intitulado “O que esperamos do próximo governador”, entregue pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) aos candidatos ao governo cearense, é sobre a ovinocaprinocultura. O documento ressalta que o Estado detém a terceira posição nacional quanto ao rebanho de ovino e a quarta posição no setor de caprinos. No entanto, conforme o presidente da entidade, Flávio Saboya, “é a menos organizada no que concerne à comercialização e à organização de seus produtos”.

Entre as ações propostas ao futuro governador, está a instalação de abatedouros certificados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), para que os produtos locais atendam à demanda de consumo nacional. A proposta ressalta que é preciso o fortalecimento do serviço de inspeção para “reduzir o abate clandestino”. Lembra também o estímulo ao “melhoramento genético dos rebanhos caprino e ovino”, mas, sem dúvida, a região já detém potencial no assunto.

A Associação Brasileira de Criadores de Dorper (ABCDorper) vem estimulando, em todo o país, a organização da cadeia produtiva do ovino, visando atrair investidores “para um segmento em franca expansão no agronegócio brasileiro”. No Nordeste, todos os Estados têm potencial nesse negócio, destacando-se o Ceará, Pernambuco e Bahia como maiores produtores. Conforme dados da entidade, Bahia e Ceará ocupam, respectivamente, o segundo e terceiro maiores rebanhos de ovinos do Brasil, perdendo somente para o Rio Grande do Sul.

O objetivo da diretoria da ABCDorper, conforme sua assessoria de imprensa, agora que todo o Nordeste está livre da febre aftosa com vacinação, é mostrar exemplos como o do Ceará (plantel de pouco mais de 2,3 milhões de cabeças), que “tem tradição na criação de ovinos e pode vir a ser um grande fornecedor nacional de carne de cordeiro”. “Se o clima permanecesse regular, poderíamos aumentar nosso rebanho cinco vezes ou mais”, exalta o criador Manoel Fontenele, representante da ABCDorper no Estado.

Mesmo em meio a uma seca atípica, que já dura três anos, os produtores cearenses vêm superando os desafios, especialmente aqueles que trabalham com raças mais rústicas e adaptadas, como é o caso da Dorper e da White Dorper, de origem sul-africana. Fontenele considera um erro grave a falta de interesse por parte dos produtores em cruzar carneiros registrados com ovelhas comerciais. Preferem usar reprodutores mestiços, que são mais baratos, mas de produtividade duvidosa. “Muitos me procuram querendo comprar carneiro meio-sangue Dorper ou White Dorper, mas não vendo. Entendo que a missão destas raças é servir o consumidor com uma carne de cordeiro de primeiríssima qualidade, nada mais que isso”, defende.

Conforme a entidade, os produtores recebem, em média, entre R$ 7,00 e R$ 8,00 por quilo vivo, nada menos que o dobro do que recebiam em um passado não muito distante. A explicação está na qualidade conferida na produção e no sabor da carne que surpreende cada vez mais o paladar dos brasileiros. “Se carneiros registrados são fundamentais nesse processo, melhor seria se os produtores unissem forças para comprar animais suficientes par fazer repasse em todas as cabanhas envolvidas”, sugere Fontenele.

Cadeia de Ovinos

Produtores cearenses exigem frigoríficos e abatedouros registrados pelo Mapa, e combate à “carne de moita” (abate clandestino)

Os maiores plantéis nacionais estão, em ordem decrescente, no Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará

Entidade do setor (ABCDorper) estimula, em todo o país, a organização da cadeia produtiva

Foto: Divulgação

 

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