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por Rogério Morais

Entidades cearenses estão na luta para implantar no estado o Serviço de Inspeção Sanitária em todos os níveis: Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec); Associação dos Prefeitos do Estado (Aprece); e Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Ceará (CRMV). Os problemas já foram levados ao conhecimento da presidenta Dilma Rousseff, através de um senador da República. E foi também solicitado do governo do Ceará, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (DAS), empenho ao pleito.

Vários documentos apontando os prejuízos foram produzidos e encaminhados às autoridades. No entanto, tudo indica que, devido ao processo eleitoral deste ano, nenhuma solução será tomada antes dos resultados finais. “Se o Ceará foi capaz de alcançar a condição de livre de aftosa com vacinação, também o será no tocante à implantação de unidades de abatedouros capazes de atender às necessidades da população”, afirma o presidente do CRMV no Ceará, médico veterinário José Maria dos Santos.

Perspectiva
Para o presidente da Faec, Flávio Saboya, a ovinocaprinocultura nordestina “tem uma grande perspectiva de crescer”. Ele lembra que devido à nova norma sanitária da região (zona livre da aftosa com vacinação), “abriram-se as fronteiras do Nordeste para a comercialização dos grandes mercados mundiais”. Acrescenta que a região passou a ser “a primeira grande região do mundo, em termos de ovinos e caprinos, com liberação oficial para comercialização externa”. Conforme declara Santos, o Ceará deve também vencer mais essa barreira no campo sanitário, que depende da política. Os alimentos de origem animal e seus subprodutos só podem ser consumidos se forem oriundos de matadouros “tecnicamente aptos ao abate e após rigorosa inspeção sanitária de um médico veterinário”, alerta o presidente do CRMV.

O Ceará, a exemplo dos demais estados nordestinos, afora a Bahia (uma unidade), não tem sequer um selo de inspeção federal, ou seja, o SIF (Serviço de Inspeção Federal). A quase totalidade dos municípios cearenses também não dispõe de inspeção municipal, prejudicando, inclusive, o setor denominado de agricultura familiar, alerta o veterinário.

Para Saboya, a questão é importante “como uma consequência” do setor, mas o mais relevante, “é a vontade e a  isposição do produtor de se organizar e produzir um animal de qualidade e com tecnologia”. “Produzir um cordeiro precoce e ter bons reprodutores”, comenta, adiantando que o Ceará tem excelentes criadores de ovinos e caprinos aptos a fornecer reprodutores e matrizes para pequenos e médios produtores cearenses.

O dirigente da Faec defende a organização empresarial do setor, do pequeno ao grande criador. Por outro lado, Saboya se diz “extremamente esperançoso” quanto à possibilidade de investimentos públicos e privados, inclusive recursos humanos, além dos técnicos, nesse setor. “Devemos saber pressionar e exigir os nossos interesses juntos às autoridades. Quando ouvimos [CNA e Federações] os candidatos [governador e presidente] nós não estávamos só pedindo a ajuda importante deles. Queremos mostrar que nós sabemos o que queremos e vamos pressioná-los”, conclui.

O AgroValor ouviu também o delegado federal do Desenvolvimento Agrário no Ceará, Francisco Oliveira. Ele também considera a ausência de abatedouros certificados um problema para o desenvolvimento rural cearense, e informa que a solução está sendo buscada politicamente na instância federal.

Abatedouros
Entidades lutam para implantar o Serviço de Inspeção sanitária em todos os níveis. Região Nordeste conquistou status de livre da aftosa com vacinação, mas ainda não pode negociar produtos. Ministério da Agricultura aguarda decisão política do governo federal.

Foto: Divulgação

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