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por Rogério Morais

O Nordeste aprendeu muita coisa que hoje pode ensinar. E tem agora uma lição muito boa, pois Fortaleza é a única capital no semiárido do Brasil, a única capital nesse clima, e a mais segura em matéria de água; porque fez a integração de bacias, ligou os seus sistemas. A água vem de 25 bacias em 300 quilômetros de distância”.

A informação é de Hypérides Macedo, 71 anos, engenheiro civil, pós-graduado pela USP, especialista em Recursos Hídricos, e ex- Secretário da Infraestrutura no Ministério da Integração Nacional, no governo Lula. Para ele, o Nordeste conseguiu realizar dois modelos básicos: a integração de bacias através de canais e a transferência de águas através das adutoras.

Neste início de ano, capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e outras grandes cidades do Nordeste, enfrentam sérios problemas de falta d’água, com risco de rigoroso racionamento, caso não chova nas bacias que abastecem os seus sistemas de fornecimento. O governo de Minas Gerais, por exemplo, pediu à população que economize água, e admitiu que a situação dos reservatórios que abastecem a grande Belo Horizonte é crítica. O estado vive a pior seca em mais de um século.

No Rio de Janeiro, o nível de água do principal reservatório – Paraibuna – que abastece a cidade atingiu o volume morto (água abaixo do nível das comportas e precisa ser puxada por bombas). Mas o governo estadual descartou o risco de racionamento para os consumidores residenciais. O estado fluminense é abastecido por quatro reservatórios (Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil), todos com volume baixo. Os três primeiros estão em São Paulo.

 O governo federal anunciou a liberação de recursos do PAC para o estado de São Paulo fazer a interligação de suas bacias, como meio de evitar, no futuro, o drama que atualmente passa a população da capital paulista. Para Macedo, todo esse problema poderia ter sido evitado, se os governos federal e estaduais tivessem adotado providências.

Conforme ele, a capital cearense, com cerca de 3 milhões de habitantes, não enfrenta o mesmo sufoco porque o Ceará é o primeiro estado do Nordeste a preparar o sistema receptor, quer dizer, a engenharia que vai receber água do rio São Francisco. “Chegando a água do São Francisco no rio Jaguaribe (Ceará), vai para o Pecém (Complexo Portuário), porque o Estado já está preparado para isso”, afirma.

Macedo vai mais além e acrescenta: “Podemos dizer que a nossa região [Nordeste] será a primeira do Brasil a receber água da Amazônia, porque estamos bem próximos do rio Tocantins”. A transposição das águas do rio Tocantins, a partir de Carolina (Maranhão), passando pela região da soja, transformará aquele estado, “pois se aproxima da bacia do Itapecuru, que é a única bacia semiárida do Maranhão, e que fornece água para o Complexo de São Luís”, explica o engenheiro. Projeto nesse sentido já está em debate na Câmara dos Deputados.

Segundo o estudioso no assunto, assim como Fortaleza justificou tecnicamente a viabilidade da transposição do São Francisco para o restante do Nordeste, São Luís justifica o começo da transposição do Tocantins e a integração com o São Francisco. “O Tocantins, que tem muito mais água do que o São Francisco, vai servir à capital maranhense, depois facilmente atravessará o Piauí e entrará pela região mais seca do Ceará, que é Crateús, onde o Cinturão das Águas [sistema de canais para a condução das águas do São Francisco] vai fazer a curva”, finaliza.

SAIBA MAIS

Seca nas capitais
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife enfrentam sérios problemas de falta d’água. Fortaleza é a exceção, mesmo sendo a única capital que está no clima semiárido, é a mais segura em matéria de água.

Foto: Divulgação

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