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Por Rogério Morais

O consumo per capita de vinho no Brasil apresenta números considerados insignificantes, comparados com o resto do mundo e mesmo com países sul-americanos. Mas já existem práticas de consumo que, conforme os analistas, apontam para o incremento do mercado. “As pessoas começam a comprar vinhos chilenos, vinhos argentinos... vão se acostumando e começam também a experimentar vinhos de outros países, de outras regiões, muitas vezes vinhos um pouco mais caros”, diz a administradora de empresa, Rita Benozzati Ibañez, 34, gerente da divisão de vinhos da Importadora Aurora, de São Paulo. Nesta entrevista ao AgroValor, em Fortaleza, ela fala do esforço do produtor e importadores para conquistar o mercado nacional, e aponta os principais problemas, como o câmbio, tributos nos Estados, além da concorrência com a popular cerveja nacional.

AgroValor Faça uma explanação sobre o mercado atual de vinhos?
Rita Ibañez – No geral, conforme o meu conhecimento em 10 anos de mercado, não variou muito nesses últimos anos. No Brasil são dois litros (de vinhos) per capita por ano. Isso é um valor muito baixo, se comparado com outros países. Mas percebemos que tem mais gente consumindo vinhos. No entanto, o Brasil é um país muito grande, e você demora a notar essa evolução. Vemos que tem mais gente interessada no mundo do vinho, mais gente começando a tomar vinho e, ao mesmo tempo, mais consumidores migrando para as categorias de vinhos mais caros, que é onde estamos concentrados. Nosso foco são vinhos mais finos.

 

AgroValorComo se dá esse processo de mudança de melhorar a qualidade do consumo?
Ibañez – As pessoas, normalmente, começam a comprar vinhos chilenos, vinhos argentinos... vão se acostumando e começam também a experimentar vinhos de outros países, de outras regiões e, muitas vezes, vinhos um pouco mais caros. Nós temos, sim, ótimos vinhos do Chile e da Argentina, e a gente percebe que o consumidor começa também a procurar esses vinhos mais raros, de qualidade alta.

AgroValor O Brasil é um importador de vinhos. Qual é a sua avaliação sobre a nossa produção e consumo?
Ibañez – O brasileiro está muito acostumado a tomar vinho importado, principalmente da Argentina. Historicamente, nós trabalhamos há muitos anos com vinhos chilenos e argentinos. Estamos muito próximos, fisicamente, então sempre houve essa cultura de se tomar vinhos desses países. Mas também estamos muitos próximos da Itália, de Portugal, e a gente também tem a questão histórica da imigração, então essas pessoas têm o hábito de consumir o produto, e querem beber vinhos de seus países. Portanto, por isso não consomem vinhos nacionais e nem somente esses que vêm da América do Sul.

AgroValor E ainda sobre o consumo interno, onde estão os maiores consumidores, em termos regionais?
Ibañez – São Paulo, sem dúvida. No Sudeste tem um consumo mais alto de vinho, principalmente em São Paulo. Depois vem o Rio de Janeiro. No Espírito Santo tem algumas empresas que trabalham por lá, mas o maior consumo é São Paulo, com vinho importado.

AgroValorNesses eventos públicos, que a sua empresa vem promovendo, além de destacar marcas, também vem divulgando a bebida? Qual a perspectiva do setor?
Ibañez – Isso é difícil avaliar, nesse momento. Estamos sendo impactados pelo aumento do dólar e do euro. É um ano difícil de prever o mercado porque os preços estão aumentando. No caso do Nordeste, nós estamos investindo do último ano para cá. Nós não temos tantas informações, precisamos vir para a região com muito mais frequência, estamos fazendo parcerias com distribuidores, tanto para restaurantes quanto para lojas. Então ainda estamos aprendendo aqui. O vinho branco, por exemplo, seria uma opção para quem está tomando cerveja, porque ele é mais apropriado, é mais fresco para o clima quente. Mas, normalmente, o que a gente vê é o contrário: o brasileiro está muito focado no vinho tinto, mesmo nas temperaturas altas ele prefere o vinho tinto. É uma curiosidade. A gente tenta entender e mostrar sempre esse lado positivo do vinho branco como uma boa opção para climas mais quentes.

AgroValor - Em termos de consumo – produto – é possível distinguir qual é a bebida que mais compete com o vinho, no Brasil?
Ibañez – Para o brasileiro, conforme a nossa percepção nos restaurantes, quem compete com o vinho são as cervejas. As cervejas premius que estão crescendo, estão pegando essa parte do mercado. Nós não temos dados oficiais sobre essa comparação, mas percebemos que o consumidor em potencial do vinho, acaba indo para a cerveja. O vinho ainda é um produto meio complexo, muita gente ainda tem receio sobre escolha, pois existem muitas opções, são muitas regiões (produtoras), muitos países, muitos tipos de uvas. Acaba sendo um tema difícil e isso acaba atrapalhando na opção, pois a cerveja tem uma facilidade muito maior.

AgroValor Qual a relação de mudança de hábito com atividades de marketing e publicidade?
Ibañez – Estamos promovendo vários eventos que possibilitam ao produtor conversar diretamente com os consumidores. Achamos que essa é a melhor forma de simplificar essa questão do vinho. É um espaço muito valioso. Nessas feiras o consumidor prova vinho de diversas regiões e conversa com o enólogo (produto de vinho). O enólogo está sempre preocupado com a produção de vinho. Ele vem para cá, fica uma semana com a gente e ele próprio conversa com o consumidor, explica como produz, mostra as diferenças. Então, o nosso objetivo é tornar o vinho uma bebida cotidiana.

AgroValor Qual o referencial básico, para o consumidor, avaliar a melhor qualidade do vinho?
Ibañez – Existe a questão da temperatura. No Brasil temos altas temperaturas em relação a outros países produtores. Com isso, a uva não cansa tanto e os produtos ficam um pouco diferentes. Os produtores nacionais estão produzindo ótimos vinhos, principalmente os espumantes, que são os que mais vêm se destacando na produção nacional. Mas temos produtos para todos os gostos.

AgroValor Ainda sobre o mercado brasileiro, qual é a relação do nosso consumo com outros países?
Ibañez – É muito pequena. Nós consumimos dois litros per capita/ano. No Chile e na Argentina, por exemplo, o consumo chega a 30 litros. O chileno toma vinho todos os dias, no almoço e no jantar, da mesma forma como toma o suco. A cultura, o hábito de consumo é muito diferente. Eu acredito que nós – Brasil – vamos avançar, mas tem também a questão do preço, nesses dois países, os preços do vinho são muito mais baixos.

AgroValor E qual é, hoje, o maior entrave brasileiro na importação de vinhos?
Ibañez – Primeiro os impostos, que são muito altos e, nesse momento, o dólar e o euro que estão custando muito. Tem também a questão tributária que faz com que um estado seja mais competitivo do que outros, considerando de quem você importa e para onde você vende. E isso faz com que fiquemos menos competitivos do que outras bebidas, como a cerveja nacional, por exemplo.

AgroValorApesar de todos esses gargalos, qual é o futuro do vinho no Brasil?
Ibañez – Os produtores de vinho, no geral, estão cada vez mais preocupados com a qualidade. Um setor que está se profissionalizando muito, tanto interno como lá fora. Os produtores de fora estão muito focados no Brasil e olhando com atenção para o nosso mercado. E os brasileiros visitam muitas vinícolas no mundo, principalmente na Argentina, o que é muito positivo para o mercado.

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PERFIL

QUEM É
Rita Benozzati Ibañez, 34 anos, São Paulo, SP, administradora de empresa, gerente na Importadora Aurora.

O QUE FAZ
Gerenciamento das marcas de vinho importados para o Brasil e marketing do mercado.

O QUE FEZ
Assistente de produto na divisão de Produtos Lácteos Frescos das marcas Paulista e Danoni.

 

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