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Por Rogério Morais

O Nordeste, e principalmente os estados do Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, “seriam outros”, com imenso valor agregado disponível no setor do agronegócio, caso várias obras inacabadas fossem concluídas. Algumas delas projetadas há décadas, como a transposição das águas do rio São Francisco, e quase todas já somam mais de 10 anos de iniciada, como é o caso da ferrovia Transnordestina.

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec), Flávio Viriato de Sabóia, responde com rapidez: “A transposição do São Francisco!”. Uma rápida pausa, e completa: “E o Eixão das Águas!”. O AgroValor ouviu políticos, técnicos  e empresários sobre quais das obras consideradas estruturantes e inacabadas, que mais atingem o agronegócio nordestino. “E a Transnordestina?”, indagamos. “Você me perguntou a principal... a ferrovia é a segunda”, brinca Flávio Sabóia.

Logística e água
A região Nordeste, no momento, toca duas grandes obras projetadas para acabar com a miséria secular que predomina na maioria dos municípios do interior: uma delas é a ferrovia para ligar os portos marítimos do Ceará, Pernambuco e Maranhão, com a sua produção agropecuária, principalmente sendo a maior fronteira agrícola do país atualmente, ao do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), área de Serrado que tem a maior produtividade no setor de soja.

A água é o maior problema da região, mas a transposição do chamado “Velho Chico” para cobrir terras avaliadas como férteis do considerado Nordeste Setentrional (100% semiárido), além dos canais interligando as bacias regionais, “é a grande obra para transformar a realidade do povo nordestino e vai mudar o Nordeste brasileiro, principalmente o Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba”, assegura o governador do Ceará, engenheiro agrônomo Camilo Santana, do PT. Segundo o petista, “essa história de dizer que as obras estão paradas, não existe. Mais de 70% estão concluídas”, afirma ao AgroValor, garantindo que até o ano de 2016, o tão precioso líquido vai chegar ao rio Jaguaribe (Ceará), entrar no açude Castanhão e resolver o abastecimento da região metropolitana de Fortaleza durante mais de 30 anos. São cerca de 5 milhões de pessoas, metade da população do Estado.

“Fortaleza não tem problema de água porque tem o Castanhão”, lembra o governador. Mas para tanto, o governo do Ceará teve que construir o Canal do Trabalhador, adutoras e outros investimentos de integração estadual de sistema de abastecimento em torno de 300 quilômetros. No entanto, para atender as demais regiões do estado, como a Central e os Inhamuns, são necessários o São Francisco e outras duas grandes obras internas: Cinturão das Águas e Eixão das Águas, como lembrou o presidente da Faec. Ambas com verba do governo federal (PAC) e parte de verba estadual, não paralisadas totalmente, mas correndo risco das contenções do governo Dilma. Assim também estão outras obras que dependem do caixa da União, como a duplicação da BR-020, que nasce no Distrito Federal (Brasília) e termina no Ceará (Fortaleza). Essas obras foram iniciadas há 10 anos. E era uma das maiores metas da Ministra Kátia Abreu, então presidenta da CNA.

Para o deputado federal (PSDB-CE) Raimundo Gomes de Matos, “a região do Matopiba tem um grande potencial de valor agregado” no agronegócio brasileiro. “Nós precisamos dinamizar a economia melhorando a estrutura ferroviária da região, para gerar mais emprego e renda”, afirmou.  O presidente da ferrovia Transnordestina Logística, ex-Ministro Ciro Gomes, não quis falar sobre o assunto. Conforme Gomes de Matos, “as integrações de ferrovias são as obras mais importantes para o Brasil, atualmente”.

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Saiba mais: 

- Obras de transposição das águas do rio São Francisco com 70% de conclusão.

- Ferrovia Transnordestina, ainda um sonho sem definição. Projeto começou no primeiro governo Lula.

- Obras da BR-020, Distrito Federal (Brasília)/Ceará (Fortaleza), foram iniciadas há 10 anos.

 

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