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por Camila Bitar

Durante uma visita ao Brasil neste ano, o renomado crítico e consultor inglês de vinhos, Steven Spurrier, afirmou que “os brasileiros deveriam ter mais orgulho do espumante produzido no Brasil. Não precisam beber champanhe”. 

Apesar do mercado promissor, com vendas em crescimento de 10% a 15%, ao ano, graças principalmente ao aumento de consumo dos espumantes nacionais, a verdade é que ainda se bebe muito pouco vinho no Brasil, cerca de 2 litros per capita, se comparado, por exemplo, a países europeus, como Luxemburgo, cujo consumo per capita é trinta vezes maior.

Com sua quase totalidade da produção concentrada no Sul do país, favorecida pelo clima, solo e por razões históricas advindas dos imigrantes europeus que lá habitam, os vinhos e espumantes brasileiros estão começando a ser reconhecidos internacionalmente.

Seguindo o pensamento de Spurrier, a jovem engenheira agrônoma Gabriela Pötter, 35, diretora técnica da Vinícola Guatambu, localizada em Dom Pedrito (RS), na fria região da Campanha, fronteira com o Uruguai, acredita que o brasileiro, de um modo geral, tem preconceito em relação aos produtos nacionais. “Os próprios estrangeiros percebem isso e ficam espantados”, afirma ela, e acrescenta: “A qualidade do vinho brasileiro está evoluindo muito rápido. A maioria das vinícolas investiu em alta tecnologia e conhecimento. No caso dos espumantes, estamos entre os três melhores países do mundo. Isto pode ser comprovado na quantidade de premiações internacionais recebidas”, orgulha-se a gaúcha.

Gabriela reconhece que existe o brasileiro mais informado, que se permite “experimentar” o vinho brasileiro e se surpreende com sua superioridade. Em inúmeras degustações às cegas, onde foram colocados vinhos estrangeiros e brasileiros, os nacionais saíram-se muito bem.

BATE-VOLTA

Qual o foco da sua vinícola? 
Vinhos boutique, em pequena escala e alta qualidade. Nossos carros-chefe são os varietais tintos, da linha Rastros do Pampa, com destaque para os mais premiados: Cabernet Sauvignon e Tannat; e espumantes, como Poesia do Pampa Brut e Guatambu Rosé, pelo método champenoise.

Quais os gargalos do setor?
Falta de mão de obra especializada; de logística na distribuição; de fiscalização do vinho contrabandeado e comercializado em lojas e restaurantes brasileiros; de linhas de financiamento com carências e juros compatíveis com a atividade.

E as suas expectativas?
As vinícolas da Campanha estão trabalhando para obter a Indicação de Procedência. Acreditamos que, no futuro, poderemos ser uma região como o Nappa Valley, na Califórnia, referência em vinhos e enoturismo.

Conselhos para um jovem investir na vitivinicultura.
Somente se ele tiver paixão pela atividade e se tiver outra fonte de renda, pois é um negócio que gera resultados em longo prazo. É praticamente um projeto de vida.

Gabriela Pötter
Diretora técnica da Vinícola Guatambu
Dom Pedrito (RS)

Foto: Divulgação

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