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Da Redação

Vendendo principalmente leite em pó integral, cujo principal destino foi a Venezuela e países da África e Oriente Médio – destaque para Angola e Arábia Saudita –, a exportação de produtos lácteos do Brasil registrou crescimento surpreendente até o terceiro trimestre de 2014.  De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), o aumento foi acima de 14%, no acumulado até setembro.

Aumento do dólar e os altos preços das commodities lácteas favoreceram a produção brasileira para a exportação, segundo os analistas. No entanto, conforme relatório da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), 2015 será “um ano de desafios para o setor lácteo”. Segundo os técnicos da entidade, “as incertezas do cenário econômico do país podem influenciar diretamente o setor, acarretando estagnação ou até mesmo redução do consumo interno do leite e seus derivados”.

De acordo ainda com o CEPEA, a situação do produtor melhorou a partir de 2014, em função dos custos mais baixos relacionados à alimentação do rebanho. Ou seja, os insumos que compõem a ração concentrada, basicamente o milho e o farelo de soja. Mas a mão de obra e os produtos do setor de medicamentos, fertilizantes e suplementos minerais, que têm referencial de preço conforme a cotação do dólar, contrariaram os bons resultados anteriores.

Conforme o Boletim Focus do Banco Central, referenciado na análise de perspectiva para 2015 da CNA, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2015 será de 0,80%, valor pouco maior que os 0,21% previstos para 2014. “Esses números sinalizam que haverá manutenção ou até mesmo redução no consumo de produtos lácteos, principalmente daqueles de maior valor agregado”, por exemplo, o iogurte.

A entidade aponta outro desafio do setor relacionado à demanda, que diz respeito à imagem dos produtos lácteos junto ao consumidor. Em novembro de 2014, o Ministério da Saúde publicou o novo Guia Alimentar para a População Brasileira, em que relata os cuidados necessários para se alcançar uma alimentação saudável. “No entanto, ao contrário da versão anterior que trabalhava com grupos de alimentos e porções recomendadas, o novo estudo sugere alimentos frescos e minimamente processados”, destaca a CNA.

A questão é que antes o Ministério preconizava porções diárias de produtos lácteos equivalentes a mais de 200 litros/pessoa/ano, e a edição atual recomenda que seja evitado o consumo de “produtos como iogurtes e queijos, pois são processados, colocando-os no mesmo patamar de alimentos pouco saudáveis, como refrigerantes, por exemplo”, avalia o estudo.

Mas o estudo aponta um lado positivo no contexto nacional: A chegada ao mercado brasileiro da empresa francesa Lactalis (Bridel, Président, Sorrento, Société etc.), que deve “provocar mudança na dinâmica dos preços pagos aos produtores”, afirma. A multinacional especializada em queijos é a terceira maior indústria de laticínios do mundo, com fábricas espalhadas em setenta países. Sua entrada no grande mercado consumidor nacional vem sendo estudada há alguns anos, podendo se tornar por aqui a maior captadora do leite brasileiro.

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Desafios no setor lácteo

- Redução no consumo, principalmente daqueles de maior valor agregado, como o iogurte;
- Muita oferta, menor demanda e menor poder de compra do consumidor;
- Ponto positivo foi a entrada e competição no mercado da empresa francesa Lactalis.
 

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