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Por Rogério Morais

Passada a quadra invernosa de 2015 na região Nordeste, os reservatórios do chamado Nordeste Setentrional, nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco (fora da bacia do Rio São Francisco), administrados pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), estão, em média, abaixo de 20% do seu potencial hídrico. No quadro geral, nos nove estados da região, o estoque de água está em 23%, de acordo com informações do Serviço de Monitoramento dos Reservatórios do órgão.

Dados históricos indicam dezenas de açudes em situação de volume morto, principalmente no Ceará, com 18 reservatórios, Paraíba com 10, Rio Grande do Norte 18, e Pernambuco 3. O Ceará, que tem mais da metade do volume de água armazenada da região, está somente com 19% da sua capacidade total, ou seja, 2 bilhões e 977 milhões de metros cúbicos de água. Quase a metade de todo o estoque regional, atualmente com 6 bilhões e 641 milhões de m3, 23% da capacidade nordestina gerenciada pelo Dnocs, que atinge mais de 90% das reservas.

Crítica
Afora os estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, que fazem parte da bacia do rio São Francisco, que estão com capacidade média em torno de 40%, conforme dados do Dnocs, os demais estados encravados no semiárido nordestino estão em situação crítica.

Os reservatórios com capacidade de armazenamento superior a 1 bilhão de m3, como o açude Banabuiú, que abastece municípios do sertão central cearense, está em seu volume morto. De um total de bilhão e 601 milhões de m3 de água, o reservatório tem abaixo de 20 milhões de m3.

O Castanhão (Ceará), com capacidade de 6 bilhões e 700 milhões de m3, conta atualmente com 1 bilhão e 362 milhões de m3. O Orós, também no Ceará, menos explorado, no momento, do seu volume total de 1 bilhão e 940 milhões de m3, guarda 857 milhões m3. O Açu, no Rio Grande do Norte, e o Mãe D’Água e Curema, na Paraíba, que também têm capacidade acima de um bilhão de m3, a situação é preocupante. O primeiro, no Rio Grande do Norte, conta apenas com 690 milhões de m3, do seu potencial total de 2 bilhões e 400 milhões de m3. Os dois últimos, maiores reservatórios da Paraíba (1.358.700.000 m3), “não está disponível”, conforme o Dnocs.

Perdas
O quadro é preocupante porque implica em redução da produção agropecupária na região (culturas irrigadas e piscicultura em tanques redes). Fonte do Dnocs informou que até os reprodutores e matrizes de tilápia, a espécie mais utilizada na piscicultura regional, correm o risco de perda devido ao baixo volume de água nos reservatórios onde o órgão tem laboratório. No Castanhão, por exemplo, recentemente, milhares de peixes morreram e os técnicos ainda estudam as causas do problema.

O empresário Carlos Prado, fruticultor que atua nos estados do Ceará, Piauí e Bahia, disse ao AgroValor que o Ceará reduziu, nos últimos meses, 1 mil e 500 hectares do plantio. Ele produz melão e melancia e, conforme ele, “isso significa desemprego”.  Segundo Prado, os empresários do setor estão conversando com o governo estadual no sentido de encontrar uma melhor saída para a crise atual de falta de água. “O nosso problema é água”, afirma, e “falta de água significa perda de postos de trabalho e redução de renda das famílias nas regiões produtoras”.

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Capacidade hídrica
Reservatórios do chamado Nordeste Setentrional estão abaixo de 20% do seu potencial hídrico.
O Castanhão, com capacidade de 6 bilhões e 700 milhões de m3, conta atualmente com 1 bilhão e 362 milhões de m3.
Reprodutores e matrizes de tilápia correm o risco de perda devido ao baixo volume de água nos reservatórios.
Falta de água significa perda de postos de trabalho e redução de renda das famílias nordestinas.


Foto: Divulgação

 

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