AgroValor Publicidade
AgroValor

Por Rogério Morais
 
Pelo menos até 2014, os perímetros irrigados do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs), pouco foram atingidos pela falta de chuvas em três anos consecutivos de estiagem, de 2012 a 2014. De acordo com informações do diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do órgão, Laucimar Gomes Loiola, com base no “Levantamento Sistemático da Produção Vegetal e Animal”, no ano passado, o faturamento bruto nos projetos foi de R$ 321.186.451,77.

É verdade que, em comparação à produção de 2013, (R$ 359.795. 894,23), houve uma pequena queda, tanto na área plantada como em colheita, e consequente redução do faturamento. Em 2013, a área cultivada somou 40.462,9 hectares. Em 2014, conforme dados da pesquisa fornecida ao AgroValor, o total teve uma redução chegando a 35.985,61 hectares. A baixa quantidade de chuvas também reduziu a colheita, em cerca de 10 mil hectares (25.434,93).

Produção atual
A Coordenação de Tecnologia e Operações Agrícolas (CTA) do órgão, ainda não tem números relativos à safra de 2015 para oferecer, mesmo porque os resultados estão em andamento. No entanto, devido à redução de abastecimento de água para diversas culturas, em quase todos os perímetros, a queda no valor bruto da produção em 2015 deverá ser ainda maior em comparação ao ano passado.

O Ceará, por exemplo, que tem a maior produção, faturou mais de R$ 253 milhões em 2014, pouco menor em comparação ao ano anterior (2013) da ordem de R$ 265, 314 milhões. De acordo com o Setor de Monitoramento Hidrológico, o DNOCS possui 66 açudes construídos, administrados e monitorados pela Coordenadoria Estadual, com uma capacidade total de 15.625.796.000m³, correspondendo a 85% de toda água passível de ser armazenada e monitorada no Estado. No entanto, segundo o engenheiro agrônomo Luiz Paulino Pinho Figueiredo, o Ceará acumula atualmente somente 3.392.000.000m³.

A situação vai ficar mais crítica nos quatro últimos meses do ano. A bacia do Jaguaribe, por exemplo, tem hoje em termos de volume, 2.433.565.000 m³, ou 87% do total acumulado nos 66 reservatórios, principalmente por conta dos açudes Castanhão e Orós, no alto e médio Jaguaribe. Mas deve-se levar em consideração que é esse o sistema que abastece a região metropolitana de Fortaleza, quase a metade da população do Estado. Mas, no outro extremo do Estado, tem o vale do Curu, com os seus principais açudes em situação muito crítica (abaixo de 10% da capacidade máxima), onde as maiores plantações de cocos do Brasil estão morrendo. As culturas permanentes, coco e frutas principalmente, são as que mais sofrem com a falta de água, e já vem deixando grandes prejuízos para o setor. A piscicultura também já apresenta baixa inclusive no maior açude, Castanhão.

Entretanto, levando-se em conta a decisão do comitê que reúne diversos órgãos do setor, - prioridade daqui para frente é o abastecimento humano e animal -, a produção agrícola deverá cair nos próximos meses. Mesmo com todos os problemas que os perímetros irrigados enfrentam, segundo os técnicos, até o momento os “resultados são os melhores possíveis”. Em 2010, eram 36.840,7 hectares produtivos. Em 2013, chegou a 40.462,9 hectares. Vale também ressaltar que em 10 anos houve um salto significativo nesse setor, pois em 2004, eram somente 29.057,9 hectares de terras produzindo.

____________________________

- Faturamento bruto de 2014 nos projetos irrigados do Nordeste foi de R$ 321.186.451,77.

- 2013 a área cultivada somou 40.462,9 hectares. Maior que 2014, com 35.985,61 hectares.

- Prioridade, agora, é o abastecimento humano e animal, e a produção agrícola deverá cair.

 

 

comments powered by Disqus
 
INSTAGRAM
Rua Pinho Pessoa, 755, Fortaleza/CE
CEP 60.135-170
Central de Relacionamento
AgroValor (85) 3270.7650
Copyright © 2006-2014
WSete Design