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Economia

Um tema muito comentado entre os consumidores e produtores da indústria leiteira, atualmente, é a crescente popularidade do leite com a proteína beta-caseína A2. Pecuaristas, de diversas partes do mundo, buscam por alternativas mais saudável de lácteo para atender a esta demanda. Mas a ciência ainda traz controversas diante desta tendência e muitos consumidores e produtores ainda tem dúvidas sobre o real benefício desta proteína.

Para entender melhor, o leite é composto por diversos sólidos, incluindo minerais, lactose, gordura e proteína. Há três principais caseínas dentre as proteínas do leite: alpha, kappa e beta-caseína.

Existem inúmeras variantes da proteína beta-caseína. Entre as mais comuns estão: A1 e A2, assim como a variante B e outras consideradas mais raras. Algumas pesquisas relatam que todos os bovinos possuíam a variante A2, porém a A1 surgiu devido a mutação em rebanhos europeus há alguns milhares de anos. A variante A1 é mais comumente encontrada em raças de origem europeia, mas foi introduzida através de cruzamentos em raças não europeias. Hoje, estima-se que as variantes A1 e A2 surjam em quantidades iguais na população de vacas da raça Holandesa. Já na Jersey o alelo A2 é ligeiramente mais predominante.

A produção da proteína beta-caseína é controlada pela combinação de qualquer um destes dois variantes (A1 e A2), uma vez que todas as vacas possuem dois alelos. Estes alelos são codominantes, ou seja, as vacas que possuem dois variantes diferentes (heterozigotas) irão produzir quantidades iguais de cada proteína que carregam. E as vacas que possuem duas cópias do mesmo alelo (homozigotas) irão fornecer somente aquela proteína. Desta forma, é possível ter rebanhos exclusivamente homozigotos A2 através da seleção genética. Ou seja, a seleção e utilização de touros A2A2 é uma das soluções para atingir este objetivo.

Mas afinal, o que está por trás do crescimento do leite A2?
Em pesquisas preliminares, as proteínas do leite A1 e A2 mostraram ter comportamentos distintos durante o processo de digestão devido a uma variação em aminoácidos. A beta-caseína A2 apresenta uma melhor digestibilidade e tolerância na digestão quando comparada a beta-caseína A1. Algumas pesquisas levam a crer que a beta-caseína A1 está relacionada a algumas afecções, incluindo intolerância láctea e dificuldades digestivas. Foram identificados alguns benefícios para a saúde do ser humano quanto a ingestão de leite com as proteínas A2A2, pois abeta-caseína A2 não provoca a liberação de enzimas que podem causar desordens neurológicas. Além disto, outros estudos também demonstram que animais com genótipo A2A2 produzem leite com maior conteúdo de teor de gordura e proteína, resultando em maior rendimento nos processos industriais.

A Semex notou a crescente demanda do mercado por touros A2 homozigotos e, como resposta, desenvolveu a marca A2A2 com o objetivo de auxiliar os produtores a facilmente identificar os touros que carregam esta característica, para que possam incorporá-los em seus programas genéticos. Os touros Semex com a marca A2A2 são geneticamente testados como portadores homozigotos dos alelos A2A2 e, portanto, garantem a transmissão do alelo A2 para a progênie. Estes touros cobrem uma grande variedade na bateria da empresa, incluindo vários que são Immunity+ e muitos com altas provas em GTPI (avaliação genômica e de filhas).

* Com mais de 30 anos de experiência profissional, Claudio Aragon é médico veterinário, formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e tornou-se uma das maiores referências quando o assunto é gado leiteiro. Diretor técnico de raças leiteiras da Semex Brasil, Aragon é jurado de várias exposições nacionais e internacionais, entre elas: Royal Winter Fair - uma das maiores exposições de gado leiteiro do mundo - realizada anualmente no Canadá e a World Dairy Expo, nos Estados Unidos; Expo Nacional Uruguai; Trois Rivières Holstein Show; Québec Spring Show; Melbourne Royal Jersey Show Austrália; Ontario Summer Show e Le Suprême Laitier.

Foto: Divulgação
 

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