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Economia

Expectativa de produtores e entidades não é positiva, devido a relatórios de produção americanos

           

O período das lavouras de Mato Grosso é de vazio sanitário até meados de setembro. A movimentação persiste apenas para os produtores que estão colhendo milho safrinha ou algodão. A soja, por enquanto, só aparece nas expectativas dos analistas, e os produtores que já começaram a planejar o plantio da safra 2014/2015 estão apreensivos. Os custos de produção devem ser maiores e os preços, menores.

De acordo com dados do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), a área plantada e a produção devem crescer na próxima safra. A área deve passar de 8,6 milhões de hectares, alta de quase 4% em comparação com a safra passada. Se tudo correr bem, a produção deve crescer quase 5%, para mais de 27 milhões de toneladas. E semente de boa qualidade capaz de suprir esse aumento não vai faltar. É o que garante a Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat).

– O volume de sementes produzido no Estado de Mato Grosso é praticamente suficiente para atender a demanda dos produtores de grãos. Conforme o Estado vai aumentando a sua área de plantio, os produtores de sementes vão aumentando os investimentos suas unidades de beneficiamentos e aumentando o potencial de suprir a demanda estadual. No momento do ato da colheita, já se faz a seleção da qualidade das sementes e, com certeza, teremos uma boa safra – garante o vice-presidente da Aprosmat, Gladir Tomazeli.

Se as expectativas são boas em relação ao cultivo dessa próxima safra, o mesmo não pode se dizer do custo de produção. Os custos devem ficar bem acima da safra passada, passando de R$ 1440 por hectare. A maior parte desse valor vai para fertilizantes e defensivos, depois para sementes, operações com máquinas e, por último, mão de obra.

– Essa é uma situação preocupante, porque nós viemos trabalhando com soja na casa dos R$ 45 a R$ 50 nos últimos dois, três anos, que é um preço razoavelmente bom, pelo custo que nós temos na região. Mas com os Estados Unidos anunciando boa safra, mesmo o estoque estando baixo, o mercado jogou os preços para baixo. Isso implica no nossos custos, porque nós temos a venda baseada no preço de Chicago, ou seja, quem determina os preços dos grãos é a Bolsa de Chicago, então você tem toda a dificuldade, porque o Custo Brasil é interno, você não tem como mexer nele, é a política brasileira – explica o presidente do Sindicato Rural de Sinop (MT), Leonildo Bares.

Além dos custos, outra grande preocupação dos produtores é o ataque de pragas. Bares reforça que ainda não há o controle da lagarta Helicoverpa armigera.

– Não temos produtos que controlem e que estejam liberados para ser usados, então isso é uma incógnita. Está todo mundo preocupado com isso.

O produtor Carlos Alberto Schneider sabe bem o que é isso. Ele cultiva algodão e soja em Jaciara (MT). No ano passado, o ataque da armigera foi severo, e, mesmo com duas aplicações extras de defensivos, o combate da praga foi difícil e não foi suficiente para evitar a quebra de mais de 10%. Para esta safra de soja, o produtor já garantiu a compra dos defensivos. Agora, a precaução pode trazer reflexos no bolso.

– A mão no bolso é inevitável, porque a gente não pode partir do princípio de que vai fazer um plantio e não vai conseguir colher, a gente tem que colher o mínimo de sacas para manter o rendimento da fazenda, o lucro da fazenda. O custo de produção já ficou mais elevado e a perspectiva para a soja não é muito boa, em função dos últimos levantamentos de produção, que já fizeram os preços baixarem. Então a nossa estimativa de venda é com preços baixos e custos mais altos – relata o produtor.

 

Fonte: RuralBR
Foto: Divulgação

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