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Economia

Pedro Parente, o novo presidente da Petrobras, assume o comando de uma empresa ainda abalada pelas descobertas das investigações da Lava Jato, altamente endividada, com produção em queda e que com um prejuízo acumulado de R$ 41,9 bilhões nos 3 últimos trimestres.

Parente foi indicado pelo presidente em exercício Michel Temer para substituir Aldemir Bendine, que renunciou à presidência e ao Conselho de Administração da estatal na última segunda-feira. Ele ocupava o posto desde fevereiro do ano passado, quando foi nomeado no governo da presidente afastada Dilma Rousseff.

Entre os principais desafios do novo presidente estão reduzir o endividamento da petroleira, comandar o plano de desinvestimentos (venda de ativos) da empresa, definir qual será a política de preços de combustíveis em meio à queda dos preços internacionais do petróleo e fazer a companhia voltar a operar no azul.

O novo presidente da Petrobras disse nesta quarta-feira (1) que a melhoria da situação financeira da empresa passa pela venda de ativos e que ela tem que trabalhar com seus "próprios meios", indicando que não deve haver capitalização por parte do governo federal.

Confira a seguir alguns dos principais número e desafios do novo presidente da Petrobras:

Ações em queda
Os papéis preferenciais da Petrobras fecharam maio cotados a R$ 8, acumulando queda de 21% no mês. Em 2016, entretanto, as ações subiram 20%, mas ainda seguem distantes das máximas, atingidas na passagem de 2007 para 2008, quando chegaram a superar R$ 33.

O valor de mercado (preço que o mercado está disposto a pagar pela empresa), que chegou a atingir R$ 510,3 bilhões em 2008, caiu abaixo de R$ 100 bilhões no ano passado, retornando para o patamar de R$ 120 bilhões no fechamento de maio, segundo dados da Economatica.

Dívida alta
Já o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 para mais de R$ 390 bilhões no final de 2015. Segundo o último balanço da companhia, o valor recuou para R$ 369,5 bilhões no final de março, sendo que R$ 62 bilhões referem-se à dívida de curto prazo.

A dívida bruta da Petrobras atingiu no 3º trimestre de 2015 o nível recorde de R$ 506,5 bilhões, o que levou a companhia a perder o grau de investimento (selo de bom pagador) e a ganhar o título de petroleira mais endividada do mundo e a 2ª empresa de capital aberto mais endividada da América Latina e Estados Unidos.

O endividamento bruto, entretanto, recuou, passando para R$ 492,849 bilhões no final de 2015, e para R$ 450,015 bilhões no final de março deste ano.

Petróleo em queda
A queda dos preços internacionais do petróleo ajudou a agravar a situação econômica da companhia. No começo do ano, o barril atingiu mínimas em quase 12 anos, chegando a a ser cotado abaixo de US$ 30. Os contratos futuros do petróleo nos EUA encerraram o mês de maio a US$ 49,10.

Quando foram aprovados os projetos de produção do pré-sal, a Petrobras considerava um preço mínimo do barril entre US$ 45 e US$ 52 (incluída a tributação) para a produção poder ser considerada economicamente viavel.

Apesar da queda nos preços do petróleo lá fora, a Petrobras tem mantido os preços mais altos nas refinarias no Brasil, buscando compensar as perdas acumuladas ao longo de 2014 – quando manteve os preços abaixo dos internacionais, para evitar repasse à inflação.

Questionado nesta quarta-feira sobre o preço dos combustíveis e se haverá interferência do governo em sua definição, como aconteceu no passado, Parente afirmou que essa decisão será "empresarial".

Captação externa
No dia 17 de maio, a Petrobras captou US$ 6,75 bilhões no exterior em títulos de dívida, em um esforço da estatal para alongar a sua dívida e reduzir riscos de pagamento nos próximos anos.

Em sua carta de renúncia, Bendine destacou que a companhia se encontra hoje numa situação melhor que a encontrou. "Da ameaça de apagão financeiro, chegamos a um caixa robusto, superior a 100 bilhões de reais. Essa marca é resultado direto do corte nos investimentos e do enxugamento nos custos operacionais, que fizeram com que nossas despesas fossem menores que nossas receitas pela primeira vez desde 2008", disse.

Sob o comando de Bendine, a estatal anunciou uma reestrutuação administrativa, com corte de 43% do número de funções gerenciais em áreas não operacionais, com expectativa de uma economia de até R$ 1,8 bilhão por ano.

Prejuízos seguidos
A Petrobras acumula 3 trimestre seguidos de perdas. No 1° trimestre, a companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,246 bilhão. Em 2015, a empresa registrou perda recorde de R$ 34,836 bilhões, superando o resultado negativo de R$ 21,587 bilhões de 2014.

Com a sucessão de prejuízos, a companhia decidiu não pagar dividendos a acionistas referentes a 2014 e 2015. Dividendos correspondem à parcela dos lucros da companhia que é distribuída entre os acionistas e que também acaba refletindo na cotação dos papéis na bolsa.

"A Petrobras é hoje uma empresa que está quebrada. É preciso traçar um plano estratégico para a Petrobras, recuperar a governança da empresa através de um conselho forte e independente, e ter uma política transparente de preços de combustíveis”, afirma Adriano Pires, diretor e sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Na minha opinião, a Petrobras não sai do buraco sem uma capitalização. Mas não precisa ser 100% do Tesouro. Isso deve ser feito no mercado, na bolsa, com diluição dos papéis do majoritário", opina.

Corte nos investimentos
Em janeiro, a Petrobras reduziu em 24,5% o plano de investimentos para o período 2015-2019, para US$ 98,4 bilhões – queda de US$ 32 bilhões ante a projeção inicial de R$ 130,3 bilhões. No plano para 2014-2018, a companhia chegou a prever investimentos de US$ 220,6 bilhões.

Para enfrentar a escalada da dívida, a estatal também anunciou um programa de desinvestimentos, que prevê vendas de ativos de mais de US$ 14 bilhões eaté o final do ano. No início de maio, a Petrobras anunciou que concluiu negociação para a venda de filiais que mantinha na Argentina e no Chile, em transação que deve levantar cerca de US$ 1,4 bilhão para o caixa da petroleira.

Corte na meta de produção
Em 2015, a produção média cresceu 4,6% frente ao ano anterior, para 2,128 milhões de barris por dia (bpd). Mas os cortes e ajustes nos investimentos obrigaram a estatal a rever suas projeções para os próximos anos.

Em janeiro, a Petrobras reduziu a estimativa de produção de petróleo no Brasil de 2,185 milhões de barris por dia em 2016 para 2,145 milhões de bpd e de 2,8 milhões de bpd em 2020 para 2,7 milhões.

Apesar do crescimento da produção de petróleo e de derivados, o Brasil continua dependente da importação de combustíveis para atender a demanda interna. Desde 2011, o país voltou a consumir mais do que produz, perdendo a autossuficiência, comemorada pela Petrobras e pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, quando a produção de petróleo equiparou-se ao volume de derivados consumidos à época no país.

Perdas com corrupção
A Petrobras está no centro das investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em abril de 2014, a companhia calculou em R$ 6,194 bilhões as perdas por corrupção.

A estatal enfrenta um série de processos nos exterior em razão de perdas bilionárias decorrentes das investigações sobre suborno e propina envolvendo a companhia. Em fevereiro, um juiz dos Estados Unidos abriu caminho para que investidores processem a Petrobras em grupo.

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Perfil de Parente

Parente se formou em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB) em 1976. Ele foi ministro entre 1999 e 2003, passando pela Casa Civil, pelo Planejamento e pela pasta de Minas e Energia. Coordenou a equipe de transição do governo de Fernando Henrique Cardoso para o de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2001, foi escalado para o gabinete especial formado para enfrentar a crise energética, apelidada de “apagão”.

Depois que saiu do governo, Parente foi vice-presidente executivo do grupo RBS. Ele atuou, ainda, nos conselhos da Petrobras e do Banco do Brasil. Entre 2010 e 2014, foi presidente da Bunge Brasil, uma das maiores exportadoras do país.

Após deixar a companhia, Parente passou a se dedicar à Prada Assessoria, sua consultoria financeira para gestão de fortunas, que tem como sócia a mulher dele, Lucia Hauptman.

G1
Foto: Divulgação

 

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