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Haras de valor

por Angelo Tomasini

Com vocês, o Cavaleiro das Américas, Filipe Masetti”. A partir deste momento, ele entra na arena da tradicional Festa do Peão de Barretos montado em um dos seus cavalos e segurando os outros dois pelo cabresto. O público que lota as arquibancadas aplaude de pé e faz as honras de um verdadeiro herói, com direito a hino nacional e show pirotécnico.

“Sensação única! Acho que se eu viver mais cem anos não esqueço o momento que entrei na arena do Barretão com meus três heróis. Foi demais”, afirma o jovem Filipe Masetti Leite, de 28 anos, que naquele momento encerrava uma travessia por 12 países e três continentes a cavalo. Ele põe o chapéu no peito, chora e sorri, meio sem acreditar, e totalmente emocionado.

Além de um grande feito, aquele ato era a realização de um sonho de infância. Quando tinha apenas nove anos de idade, Masetti deixou Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo, com os pais. Destino? O gelado Canadá. E foi de lá que partiu, quase 20 anos depois, em uma aventura que o fez percorrer o caminho de volta. Mas, desta vez, a cavalo.

Partiu de Calgary no dia 08 de julho de 2012. “Uma emoção muito grande. Não tinha nada para fazer essa viagem, não tinha dinheiro, os cavalos, as selas... Me senti um grande vencedor só por ter conseguido sair, o que já foi uma luta gigante”, destaca o cavaleiro.

Percurso
A chegada ao Brasil foi no dia 23 de agosto de 2014, exatamente como tinha planejado, direto na Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo. Foram 16 mil quilômetros percorridos, três continentes: Américas do Norte, Central e do Sul; E doze países: Canadá, Estados Unidos, México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru e Brasil.

Segundo ele, Yellowstone National Park, o maior parque nacional dos Estados Unidos, foi o lugar que mais o encantou durante a viagem: “Vi paisagens lindas, cruzei rios e pontes suspensas, subi montanhas que não acabavam nunca. Encontrei búfalos, alces, veadinhos e até ursos”, relembra.

Já quanto ao local em que mais sentiu dificuldades, aponta a cavalgada por Honduras, na América Central. “O país mais perigoso das Américas foi bem difícil. O calor maltratou muito a mim a aos cavalos e o narcotráfico estava sempre por perto”, afirma.

Cavalos 
A cavalgada era o sonho da vida de Masetti. Aliás, um sonho que vinha das histórias que o pai lia para ele quando criança. O autor preferido, nada menos do que o suíço radicado na Argentina, Aime Tschiffely, tido como o maior cavaleiro de longa distância do século XX. Entre outros feitos, cavalgou da Argentina aos Estados Unidos com dois cavalos Crioulo, em 1925. “Essa história me inspirou muito e cativou a minha imaginação. Fiquei sonhando minha vida toda, como seria viajar por todos esses países a cavalo”, recorda o cavaleiro.

Ao mesmo tempo em que aguçava a imaginação, desde criança também já tinha o contato com os equinos.  “Meu pai me pôs em cima de um cavalo com meses de vida. Comecei cavalgando, depois fiz equitação e mais velho comecei a laçar nos rodeios do Canadá. Competia no Laço de Bezerro”, explica Filipe.

Profissão
Cavaleiro por amor, o jornalismo, profissão que escolheu, foi um dos caminhos para o financiamento da cavalgada. “Fiquei dois anos trabalhando em cima desse projeto depois de terminar a faculdade, em Toronto. Tinha que aprender muito com pesquisa e também arrecadar os fundos para fazer a viagem”, relata.

Como fonte de patrocínio, o projeto foi vendido para uma produtora de Nashville, EUA, o que deu para custear grande parte da viagem. Já os cavalos, foram doados por criadores.

Segundo ele, os três “filhos”, os Quarto de Milha, Bruiser, do Copper Spring Ranch  e Frenchie, do Stan Weaver, ambos de Montana, EUA, e Dude (Mustang), dos índios do Novo México, adquirido por último, agora estão aposentados, descansando em um sítio na cidade de Espírito Santo do Pinhal (SP). 

Planos
Sem planos de retornar ao Canadá, pelo menos neste momento, Filipe segue escrevendo um livro sobre a jornada, que também vai virar um documentário de longa metragem nos EUA, como já falamos. Além disso, aproveita o tempo para colher os louros do feito e desfruta dos momentos livres com a namorada.

VERBETE

QUEM É
Jornalista, paulista, 28 anos, radicado no Canadá.

O QUE FAZ
Atualmente escreve um livro sobre a travessia que fez a cavalo do Canadá ao Brasil e também um documentário sobre o assunto.

O QUE FEZ
Cruzou as três Américas, do Canadá ao Brasil a cavalo, em dois Quartos de Milha e um Mustang, por um período de 2 anos e 45 dias.

Foto: Arquivo pessoal

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